Empresa francesa é denunciada por ONGs por práticas que ameaçam aves e comunidades na Caatinga

Empresa francesa Voltalia tem projetos para geração de energia eólica que são temerários com a sociobiodiversidade da Caatinga; ONGs levam denúncia às Nações Unidas.

Setenta organizações civis e associações comunitárias denunciaram ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos que projetos da francesa Voltalia arriscam as vidas da arara-azul-de-lear e de 600 famílias na Caatinga baiana.

Conforme a queixa, assinada por entidades como American Bird Conservancy (ABC), WWF e Rewild, há 2 anos a empresa ignora pedidos de entidades conservacionistas e comunidades para afastar seu projeto para geração de energia eólica para longe de Canudos (BA).

No local, a implantação de uma usina com 28 turbinas distribuídas em 55 hectares teria começado sem os devidos estudos de impacto ambiental e audiências públicas.

“A arara-de-lear voltou da beira da extinção por meio de esforços intensivos de conservação nos últimos 35 anos e agora enfrenta o risco de colisões mortais com turbinas e linhas de transmissão”, disse Amy Upgren, diretora da Aliança para Extinção Zero e Programa de Áreas Chave para a Biodiversidade na ABC.

ONGs energia eólica caatinga
Turbinas eólicas da Voltalia já em funcionamento em Serra do Mel, Rio Grande do Norte. Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP

O projeto também estaria cercando e bloqueando com estradas e portões o acesso a terras comunais usadas há gerações por moradores da região para criar cabras e gado, levando ao sobrepastoreio e degradação das áreas que restaram.

Em julho deste ano, uma reportagem de ((o))eco levou à paralisação de um projeto da Voltalia na região de soltura da ararinha-azul, em Curaçá (BA). Extinta na natureza em 2000, por tráfico internacional e destruição de moradas naturais, exemplares da ave são reintroduzidos naquela porção da Caatinga. 

A Voltalia comentou a ((o))eco que estudos apontam baixa ocorrência da arara-azul-de-lear na região do empreendimento, mas que mesmo assim adotou medidas como pintar as pás das turbinas para aumentar sua visibilidade pelas aves e instalar sinalizadores sonoros para afastar animais que se aproximem dos aerogeradores.

A empresa afirma que age para criar uma unidade de preservação para a espécie e que investirá R$ 12 milhões nos próximos anos na conservação da arara-azul-de-lear e do licuri (palmeira nativa da Caatinga apreciada pelas aves), sob orientações do ICMBio

“A Voltalia reafirma seu respeito e cumprimento à legislação do país, seu compromisso com o meio ambiente, com o desenvolvimento das regiões onde atua e com toda a sociedade brasileira. A empresa está aberta ao diálogo com o objetivo de esclarecer todas as dúvidas e questionamentos que possam vir das autoridades, comunidades, ambientalistas e sociedade civil”, descreve a nota enviada a ((o))eco.

Fonte: O Eco

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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