Comércio e serviços reagem, importações permanecem elevadas e arrecadação federal chega a R$ 17,2 bilhões até julho. A queda da confiança empresarial em setembro acrescenta cautela à recuperação e direciona a atenção para o consumo das famílias.
Coluna Follow-Up
A recuperação da economia amazonense em julho chegou ao comércio e aos serviços e encontrou apoio em um mercado de trabalho com 578.982 vínculos formais, o maior estoque registrado até aquele mês. As importações destinadas ao Polo Industrial de Manaus permaneceram elevadas em agosto, indicando continuidade das compras de componentes e matérias-primas.
Em setembro, porém, a confiança dos empresários industriais caiu para 49,65 pontos, retornando à faixa de pessimismo. A melhora da atividade passou a conviver com uma avaliação mais cautelosa sobre as condições para sustentar o crescimento.
O Painel da Economia Amazonense, elaborado pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas, o CIEAM, permite acompanhar essa sequência. Atividade e emprego retratam julho; importações chegam a agosto; confiança industrial alcança setembro. A diferença entre os períodos é essencial para compreender os resultados.
O emprego oferece sustentação ao consumo
O Amazonas contabilizou 578.982 empregos formais em julho, superando o recorde de novembro de 2025. Esse é o último mês disponível no painel e o mesmo resultado mencionado na análise anterior, sem representar uma nova marca de agosto ou setembro.
A indústria de transformação registrou 135.152 postos. Os serviços chegaram a 264.102 vínculos, e o comércio, a 131.276. A construção abriu 1.728 vagas em julho e alcançou 33.420 trabalhadores.
Dentro da indústria, duas rodas contabilizou 24.938 empregos, aumento de 10,57% em um ano. Eletrônicos e informática mantiveram 30.526 postos, embora com redução de 4,83% na mesma comparação.
O emprego formal assegura renda regular e ajuda a sustentar compras, pagamentos e acesso ao crédito. Seu crescimento oferece uma base importante à economia, mesmo quando os setores apresentam trajetórias diferentes.
As próximas divulgações permitirão verificar como o mercado de trabalho respondeu à evolução da produção e à mudança das expectativas empresariais.
Comércio vende mais e serviços recuperam movimento
O comércio ampliado cresceu 1,91% em volume em julho, com ajuste sazonal. No varejo restrito, o avanço foi de 0,67%. Sem ajuste, as altas foram de 9,04% e 4,96%, respectivamente.
No varejo restrito, o volume aumentou enquanto a receita praticamente não mudou na comparação mensal ajustada, com variação de menos 0,02%. O resultado sugere algum alívio nos preços implícitos das vendas pesquisadas, embora não permita concluir, sozinho, que houve queda generalizada dos preços no Amazonas.
Nos serviços, a recuperação foi mais intensa. O volume avançou 6,03% no mês, com ajuste sazonal, e a receita cresceu 8,29%.
Ainda assim, o volume de serviços acumulava perda de 5,45% em 12 meses nessa série. A reação melhora o quadro, mas o setor precisa de uma sequência de resultados favoráveis para recuperar as perdas anteriores.
As vendas de combustíveis pelas distribuidoras chegaram a 209,84 mil metros cúbicos em julho, o maior volume desde janeiro de 2024 na série apresentada. O dado reforça a percepção de maior movimentação econômica, embora não permita atribuir todo esse consumo a uma única atividade.
Importações sinalizam preparação industrial
Em agosto, as importações destinadas ao PIM somaram US$ 1,64 bilhão, mantendo-se próximas do nível de julho. As compras de componentes e matérias-primas oferecem uma referência sobre a preparação das fábricas para os meses seguintes.
O painel ressalta que parte dos valores elevados decorre do encarecimento de insumos, incluindo resinas e memórias utilizadas pela indústria.
Gastar mais em dólares pode significar adquirir maior quantidade, pagar preços superiores ou combinar os dois movimentos. Por isso, o valor importado precisa ser interpretado antes de ser convertido em expectativa de produção.
Segundo a avaliação técnica do PEA, o patamar das importações permanece elevado mesmo considerada a pressão dos preços. A transformação dessas compras em faturamento dependerá das vendas e das condições de entrega aos mercados consumidores.
A confiança empresarial muda de direção
A Enquete de Confiança da Indústria do CIEAM passou de 57,26 pontos em agosto para 49,65 em setembro, queda de 7,61 pontos. O resultado ficou abaixo de 50, limite que separa confiança de falta de confiança.
No Brasil, o indicador da Confederação Nacional da Indústria marcou 44,9 pontos. A avaliação amazonense permaneceu acima da nacional, mas perdeu a condição favorável observada no mês anterior.
O painel associa a preocupação dos empresários ao cenário econômico brasileiro e ao endividamento, especialmente das famílias. Essa relação interessa diretamente ao Amazonas, cuja indústria depende de compradores espalhados pelo país.
A confiança mede percepções e expectativas. Sua queda não demonstra que a produção já voltou a recuar, mas sinaliza maior cautela nas decisões sobre encomendas, estoques, contratação e investimento.
O resultado de setembro acrescenta uma questão à recuperação de julho: em que medida o consumo conseguirá sustentar o ritmo das fábricas? Renda, comprometimento do orçamento familiar e condições de crédito influenciam essa resposta.
Arrecadação dimensiona a contribuição produtiva
A arrecadação federal no Amazonas atingiu R$ 17,2 bilhões de janeiro a julho, incluindo R$ 2,74 bilhões no último mês. O painel identifica um recorde nominal para o período.
Dividido pela população considerada no estudo, o valor corresponde a R$ 4.145 por habitante. É uma medida de comparação entre estados, que inclui tributos recolhidos por empresas e pessoas, e não uma cobrança individual feita a cada morador.
O ICMS acumulado até julho foi de R$ 9,45 bilhões, com participação de 43,7% da indústria. A estabilidade nominal, acompanhada de perda em termos reais, mostra que a evolução das receitas públicas também é desigual.
Esses resultados acrescentam elementos ao debate sobre a Zona Franca de Manaus. A avaliação do modelo precisa considerar a produção, o emprego e a arrecadação construídos no Amazonas, juntamente com seus incentivos e desafios.
Sustentar a recuperação
Os indicadores descrevem uma economia que recuperou atividade e mantém uma base expressiva de emprego formal. Ao mesmo tempo, as perdas acumuladas nos serviços e a queda mais recente da confiança mostram que a continuidade do crescimento exige acompanhamento.
Para as empresas, o comportamento das encomendas e do consumidor será decisivo. Para o poder público, emprego e arrecadação ajudam a orientar prioridades. Crédito, custos e logística influenciam a capacidade de converter a preparação industrial em vendas.
O PEA oferece uma leitura dessas relações ao reunir indicadores que chegam em momentos diferentes. Julho trouxe a recuperação; setembro acrescentou cautela. Para o Amazonas, a consistência dessa trajetória será percebida na preservação dos empregos, na circulação de renda e na capacidade de manter a atividade econômica nos meses seguintes.
Fonte: Painel da Economia Amazonense, CIEAM. Dados de comércio, serviços, emprego e arrecadação até julho de 2026; importações até agosto; confiança industrial até setembro. Autoria técnica: André Ricardo R. Costa, com auxílio de Almir Corrêa A. Samad e Lucas Almeida.
A Coluna Follow é publicada sob a responsabilidade do CIEAM às quartas, quintas e sextas-feiras, no Jornal do Comércio do Amazonas, com a coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor do portal brasilamazoniaagora.com.br