“E o que significa voltar a produzir, em Manaus, um componente tão precioso como semicondutores? O que temos a oferecer, logística tupiniquim à parte, recursos humanos já treináveis, ou facilmente qualificáveis, para a missão e miríades de talentos de toda ordem. E o mais importante: experimentar essa alternativa singular e sustentável da produção industrial no coração da Amazônia, que não separa economia e ecologia, há 56 anos.”
“O ponto de partida bem que poderia ser a quantificação e a qualificação dos benefícios que todos e cada um podem distribuir para que a economia da Zona Franca de Manaus cumpra firme e permanentemente seus propósitos essenciais de promoção humana e prosperidade social. Ou seja, a cada reivindicação de contrapartida fiscal para setor ou entidades, a explicitação dos benefícios a serem oferecidos.”
Lembremos que governadores e prefeitos integram o Conselho de Administração da Suframa. Eles, mais do que ninguém, sabem quais são as demandas cruciais. Entre elas, sempre estarão as demandas por infraestrutura de nossa região. Há quanto tempo não temos iniciativas dessa natureza?
Abraçar a Zona Franca de Manaus, e aplicar parte substantiva de seus recursos na região, significa conferir dignidade às populações locais, geração de recursos para proteger a floresta, implantar polos robustos de biotecnologia, de tecnologia da informação e da comunicação, conferindo aos jovens desta geração oportunidades do protagonismo para desenvolver atividades econômicas sustentáveis para realização profissional e pessoal de cada um e para ajudar o Brasil a deixar o atraso.
Integrante destacado do setor varejista e industrial, Azevedo vai ser encontrado sempre e com singular dedicação nas reuniões do que era chamado de Santa Aliança, a gestão articulada do setor privado do Amazonas através de suas lideranças nas entidades de classe. Era neste contexto que José e também Antônio Azevedo passaram a atuar em sintonia pela integração no setor privado, insistindo sempre na necessidade de interiorizar o desenvolvimento como o melhor modelo e estratégia de preservação/conservação da Amazônia.
Estamos às vésperas de iniciar um novo programa de desenvolvimento da Amazônia baseado em tecnologia. Isso começou a ser pensado há 30 anos, logo depois da Conferência da ONU, sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ocorrida no Rio de Janeiro, a ECO-92. Naquela ocasião, o governador do Amazonas, Gilberto Mestrinho, zarpou para Boston, a fim de formatar uma parceria entre o MIT, Massachusetts Institute of Technology e as universidades locais, UFAM e UTAM, atualmente, UEA. O objeto desse enlace era injetar uma dose cavalar de tecnologia nas veias abertas da Amazônia.
Não deu certo. Hoje, três décadas depois, para falar de futuro, conversamos com o professor Estevão Monteiro de Paula, que é um entusiasta dessa iniciativa desde sua formação acadêmica na América do Norte, onde fez PhD em Engenharia pela Universidade do Tennessee, e atualmente é um dos responsáveis pelo projeto do AmIT, Instituto de Tecnologia da Amazônia, com Adalberto Val e Carlos Nobre, entre outros pesquisadores da Pan Amazônia. Neste bate-papo, Estevão conta alguns detalhes desse empreendimento que pretende gerenciar o desenvolvimento socioeconômico sustentável da Amazônia continental com as ferramentas da Ciência, Tecnologia e Inovação. Confira.