É obrigação da União abastecer o Amazonas de oxigênio, decide juíza federal, contrariando Bolsonaro. Veja íntegra da decisão

A juíza federal Jaiza Maria Fraxe diz, em Ação Civil Pública (ACP) dos ministérios públicos do Amazonas e Federal, além da Defensoria Pública, que a obrigação de resolver a crise de oxigênio no Estado é do Governo Federal. A decisão é de ontem (14/01), com assinatura digital da juíza. O presidente Jair Bolsonaro alcançou repercussão nacional ao encerrar o assunto: “Terrível o problema lá. Agora, nós fizemos a nossa parte, com recursos, meios…”

Bolsonaro lembra da vinda ao Estado do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, após a qual chegou a dar outra declaração polêmica. “Viram o Amazonas? Se a gente não intervem…”. Ele transfere responsabilidades para o governador Wilson Lima e o prefeito David Almeida, dando a entender que a crise de abastecimento de oxigênio estava superada. O vídeo, no entanto, foi publicado no dia 12/01, dois dias antes do apagão de oxigênio no sistema de saúde do Amazonas.  

Despacho

Jaiza Fraxe, no despacho da decisão, diz que compete à União transferir os pacientes da rede pública do Amazonas para outros Estados. E oferecer garantias para o pagamento do Tratamento Fora de Domicílio (TFD).

Devem ficar no Amazonas, diz a decisão, ” apenas o quantitativo que possa ser atendido nos hospitais públicos com a reserva ainda existente”.

A magistrada é dura em outros pontos. “Fica expressamente esclarecido que qualquer ação ou omissão criminosa de servidores públicos ou agentes políticos, proprietários ou acionistas de empresas fornecedoras de insumos (oxigênio) e que resulte em óbito levará à imediata apuração e responsabilização dos culpados, sujeitos ativos de ilícitos, sem prejuízo das ações de improbidade”.

No item 3, ela faz um questionário, a ser respondido pela União: “Na resposta, deverá a União i) informar e anexar o seu respectivo planejamento para abastecimento da rede de saúde do estado do Amazonas com oxigênio, a fim de garantir o direito fundamental à vida durante a pandemia, ii) informar se verificou em outros estados cilindros de oxigênio gasoso em condições de serem transportados pela via aérea; sucessivamente, que se determine sua requisição, transporte e instalação, para suprir a demanda no estado do Amazonas, inclusive do interior e do Hospital Nilton Lins, iii) tudo o que couber sobre os demais pedidos contidos na inicial”.

Fonte: Portal Marcos Santos

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Energia, o nervo exposto da economia global

"Economia global sob tensão: petróleo, guerras e transição verde...

Amazônia no centro do tabuleiro

"Com “Amazônia no centro”, o mundo voltou os olhos...

A reforma tributária e o Amazonas: a hora de discutir o próximo passo

A transição do sistema tributário brasileiro desloca o debate amazônico da defesa dos incentivos para uma questão mais ampla e mais difícil: qual projeto econômico, territorial e fiscal poderá sustentar o Amazonas nas próximas décadas

Cobra com patas de 100 milhões de anos muda teoria sobre evolução das serpentes

Fóssil de cobra com patas encontrado na Argentina revela novas pistas sobre a evolução das serpentes e desafia teorias antigas.

O que são panapanás? Entenda o fenômeno das borboletas na Amazônia

Panapaná reúne milhares de borboletas na Amazônia e revela conexões entre ciclos dos rios, biodiversidade e mudanças climáticas.