Desmonte do SUS: decreto anuncia privatização da atenção básica em retrocesso histórico

O Presidente Jair Bolsonaro emitiu um decreto na última segunda-feira (26) autorizando a criação de grupos de estudos para a concessão de Unidades Básicas de Saúde (UBS) à iniciativa privada através do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República. Assinam o decreto Bolsonaro e Paulo Guedes, Ministro da Economia.

O decreto Nº 10.530 representa uma grande ameaça ao SUS da maneira que conhecemos: uma possível administração privada do Sistema Único de Saúde seria um passo grande para maior privatização do sistema. O motivo da formação do SUS foi a criação de uma saúde que pensa no sujeito independentemente do lucro; em caso de privatização ou concessão, a chance de uma remodulação que impeça serviços de alto custo e baixo retorno para o sistema é alta.

Ah, vale dizer que o Ministério da Saúde não foi consultado pelo presidente antes da assinatura do decreto.

A secretária Especial do PPI, Martha Seillier, enxerga a possível concessão de unidades de atendimento primário como uma forma de expansão do sistema único de saúde. “Sabemos do desafio de levar mais infraestrutura e serviços de qualidade a diversos municípios do Brasil e acreditamos que o modelo de PPPs [parcerias público-privadas] será chave para alcançarmos os resultados que a população tanto merece”, afirmou.

A privatização do SUS é um projeto desejado por diversas correntes da sociedade, como os planos de saúde. A saúde pública brasileira garante atendimento de saúde para milhões e é, segundo Dráuzio Varella, o maior programa de distribuição de renda do mundo.

“Esquecem que o SUS oferece gratuitamente o maior programa de vacinações e de transplantes de órgãos do mundo. Nosso programa de distribuição de medicamentos contra a aids revolucionou o tratamento da doença nos cinco continentes. Não percebem que o resgate chamado para socorrer o acidentado é do SUS, nem que a qualidade das transfusões de sangue nos hospitais de luxo é assegurada por ele”

Afirma Drauzio, em um artigo pra Folha. “Você acha que um sistema privado iria se preocupar em criar políticas públicas de saúde ou… iria pensar no lucro.”

O Conselho Nacional de Saúde já se mostrou contra o decreto de Bolsonaro:

https://twitter.com/comunicacns/status/1321172631199076355?s=20

Fonte: Hypeness

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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