O desmatamento da Amazônia em janeiro é o terceiro maior desde 2009
O desmatamento da Amazônia Legal aumentou 68% em janeiro de 2025, comparado ao mesmo período de 2024, segundo o Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Foram 133 km² devastados, o equivalente a mais de 400 campos de futebol. O Mato Grosso lidera a destruição, com 45% da área desmatada, seguido por Roraima (23%) e Pará (20%).
O instituto destaca a necessidade de reforçar a fiscalização e o monitoramento para conter a degradação ambiental, que ocorre não apenas pelo desmatamento, mas também devido à mineração ilegal, extração ilegal de madeira e tráfico.
“Esses números evidenciam uma crescente pressão sobre a Amazônia e servem como um sinal de alerta para a necessidade de fortalecer as ações de monitoramento na região. Para reverter esse cenário, é fundamental intensificar a fiscalização, ampliar as operações de combate aos crimes ambientais e fortalecer políticas que incentivem a proteção e o uso sustentável da floresta”, afirma a pesquisadora do Imazon Larissa Amorim.
No último ano, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva anunciou investimentos para a Amazônia em parceria com o francês Emmanuel Macron. No entanto, os dados ainda indicam dificuldades em conter o desmatamento, um problema que se arrasta há anos, com picos registrados também em 2015 e 2022, durante os governos de Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro, respectivamente.
Unidades de conservação em alerta
Larissa Amorim ainda alerta que, além do aumento do desmatamento, preocupa a perda de vegetação em áreas protegidas, concentrada em algumas regiões específicas. Apesar de o Amazonas ter sido apenas o quinto estado que mais desmatou em janeiro de 2025, a maioria das unidades de conservação mais afetadas está localizada nesse estado.
Em janeiro de 2025, foram identificadas oito Unidades de Conservação na Amazônia com presença de degradação ambiental. Destas, três estão no Pará, uma no Maranhão, duas em Rondônia, uma no Amapá e uma abrange os estados do Amazonas, Mato Grosso e Roraima.
O estudo também revelou que sete das dez terras indígenas mais impactadas pelo desmatamento estão total ou parcialmente dentro de Roraima, destacando a vulnerabilidade das TIs nesse estado.
“A destruição dessas terras impacta diretamente os povos originários, que dependem da floresta para sua sobrevivência, além de comprometer a manutenção da biodiversidade de fauna e flora e a regulação climática. É preciso uma ação em conjunto dos órgãos responsáveis para atuar nos locais apontados como mais críticos”, ressalta.
Carlos Souza Jr., pesquisador do Imazon, alerta que o momento para planejar ações de prevenção ao desmatamento da Amazônia é agora, ao longo dos próximos meses. “Apesar da alta, é esperado que os números de desmatamento e degradação reduzam nos próximos meses, pois estamos nos meses onde historicamente esses distúrbios não são tão intensos por conta das chuvas. Por isso, é importante que o governo e órgãos responsáveis usem esse tempo para focar ainda mais em ações preventivas e planejamento para conter os impactos antes que chegue o período mais crítico”, pontua.