Relatório da ONU calcula danos ambientais globais em US$ 45 trilhões por ano

Com prejuízos trilionários e impacto global, danos ambientais exigem ação urgente e transição para modelos sustentáveis, alerta relatório científico da ONU.

O modelo atual de produção e consumo está provocando danos ambientais estimados em US$ 45 trilhões por ano, o equivalente a US$ 5 bilhões por hora. O alerta vem do mais recente relatório Global Environment Outlook (GEO), elaborado por cerca de 200 especialistas a pedido do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

O documento aponta que as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade e a poluição ultrapassaram o campo ambiental, afetando diretamente a economia, a segurança alimentar, a saúde e até a estabilidade geopolítica mundial.

Segundo o relatório, a forma como o planeta gera energia e produz alimentos está no centro do problema. A agricultura industrial, por exemplo, responde sozinha por quase metade dos prejuízos, US$ 20 trilhões por ano. Transporte e eletricidade baseada em combustíveis fósseis somam outros US$ 25 trilhões.

Chaminé industrial liberando fumaça sob o sol poente, ilustrando os danos ambientais provocados por emissões de gases poluentes.
O uso de combustíveis fósseis está entre as principais causas dos danos ambientais globais. Foto: Travis Leery/ Unsplash

O estudo também destaca a existência de aproximadamente US$ 1,5 trilhão em subsídios nocivos ao meio ambiente, destinados a setores como petróleo, gás, agricultura e mineração. Cortar ou reverter esse investimento poderia reduzir em até um terço as emissões globais de gases do efeito estufa e evitar parte dos danos ambientais que se acumulam anualmente.

Apesar da urgência, o GEO revela entraves políticos à transição. Países como Arábia Saudita, Irã, Rússia, Turquia e Argentina bloquearam trechos do relatório que mencionavam combustíveis fósseis e mudanças no padrão de consumo. Ainda assim, cientistas insistem que adiar soluções custará mais caro do que agir. Estima-se que os ganhos com a ação climática possam chegar a US$ 100 trilhões até o fim do século.

Para os autores, as alternativas sustentáveis já existem, mas falta vontade política. “A ciência é sólida. As soluções são conhecidas. O que falta é agir na escala e na velocidade que a história exige”, afirmou Edgar Gutiérrez-Espeleta, co-presidente do relatório, reforçando que conter os danos ambientais é uma questão de sobrevivência.

Imagem aérea de área desmatada para agricultura ou pecuária, com uma única árvore ao centro, retratando os danos ambientais causados pelo desmatamento.
O avanço da monocultura e da pecuária sobre áreas naturais gera danos ambientais severos, com perda de cobertura vegetal e empobrecimento do solo. Foto: Bruno Kelly

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Conheça as propostas dos candidatos ao governo do Pará 2026

Conheça as propostas dos candidatos ao governo do Pará para bioeconomia, desmatamento, transição energética, povos indígenas e adaptação climática.

MANIFESTO BAA PELA DEMOCRACIA E PELA SOBERANIA

"Diante da tentativa de submeter as eleições, a economia...

Academia, economia e tecnologia: uma aproximação urgente

O Polo Industrial de Manaus reúne empresas, universidades, institutos,...

O que existe por trás de uma indústria certificada

"Da bateria que alimenta um smartphone aos grandes sistemas de armazenamento de energia, qualidade, segurança e responsabilidade ambiental precisam acompanhar cada etapa da produção. Em Manaus e Extrema, padrões internacionais transformam mais de 50 anos de experiência industrial em confiança para os novos desafios do setor energético"

Problemas complexos exigem propostas sistêmicas

"Problemas complexos exigem visão sistêmica, comparação de alternativas e...