Crise hídrica: governo prepara MP para abrir caminho ao racionamento de eletricidade

Estadão revelou que o governo federal preparou uma medida provisória criando condições para a adoção de um racionamento de energia elétrica no Brasil. A MP criaria um comitê com poder para adotar medidas como a redução obrigatória de consumo e a contratação emergencial de usinas termelétricas. O comitê esvaziaria temporariamente as atribuições da Agência Nacional de Águas (ANA) e do IBAMA para determinar o nível e a vazão dos reservatórios.

Os termos são os mesmos adotados pela administração FHC em 1999-2000, quando o país sofreu com os efeitos de uma forte estiagem que diminuiu o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas do centro-sul brasileiro.

Especialistas e parlamentares criticaram a proposta por não deixar claras as atribuições e responsabilidades do comitê, e pelo risco de um racionamento de energia elevar ainda mais o custo da eletricidade para os consumidores finais, o que pode ter efeitos negativos sobre a inflação.

O ministério de minas e energia, por sua vez, não negou a existência da proposta de MP, mas disse que explora outras medidas para evitar um racionamento e o risco de “apagão” no sistema elétrico nacional. O Valor também destacou a discussão em torno da MP e os esforços do governo federal para diminuir o consumo e reforçar a oferta de energia.

Enquanto isso, o ministério de minas e energia determinou a diminuição imediata da vazão de duas usinas hidrelétricas na bacia do rio Paraná, a mais prejudicada pela crise hídrica. As usinas afetadas foram as de Jupiá e de Porto Primavera, ambas na divisa entre São Paulo com o Mato Grosso do Sul. O Estadão deu mais informações. Ao mesmo tempo, a Folha informou que o governo prepara uma licitação para contratar eletricidade gerada por usinas de biomassa. O setor de cana-de-açúcar tem se movimentado nas últimas semanas para impulsionar a geração por biomassa no Brasil no contexto da crise hídrica e do risco de um racionamento elétrico.

A perspectiva para a geração hidrelétrica segue preocupante. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que a estimativa para chuvas no mês de junho segue abaixo da média histórica em todos os submercados e reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste. A expectativa é de que as chuvas atinjam apenas 66% da média de longo prazo nessas regiões. Canal Energia e Estadão repercutiram essa notícia.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

O acordo Mercosul-União Europeia e a nova geografia da competitividade

Em tempos de guerras tarifárias e reorganização das cadeias...

Chuvas no Rio Grande do Sul afetam quase 60 mil pessoas em 218 cidades 

Chuvas no Rio Grande do Sul afetam quase 60 mil pessoas em 218 municípios, deixam 488 desabrigados e mantêm rios sob alerta de inundação.

Enchentes no Rio Grande do Sul revivem riscos de 2024 e expõem fragilidades 

Enchentes no Rio Grande do Sul atingem 169 municípios, deixam mais de 1000 fora de casa e mantêm o alerta para novas chuvas.

Crime organizado na Amazônia ameaça povo indígena na fronteira entre Brasil e Peru

Crime organizado na Amazônia avança sobre terras indígenas, ameaça lideranças ashaninka e pressiona Brasil e Peru a reforçarem a segurança.

Como se preparar para enfrentar os efeitos da estiagem severa é tema do Diálogos Amazônicos

"Fundação Getulio Vargas (FGV) promove, na próxima segunda-feira (27),...