“Crescimento verde”: o novo conto da carochinha do governo Bolsonaro

O ministro Paulo Guedes parece não saber o que quer. Por um lado, ele promete um programa de “crescimento verde” para o Brasil, com foco em incentivos econômicos para atividades e setores considerados sustentáveis. Por outro, o “Posto Ipiranga” virou sócio-atleta da boiada antiambiental de Bolsonaro, insistindo com o ministério do meio ambiente na flexibilização de regras ambientais tidas pela equipe econômica como “obstáculos” para o crescimento econômico do país.

O lado “Ruth” de Guedes estaria negociando com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), dos BRICS, um acordo de US$ 2,5 bilhões para financiar projetos de desenvolvimento sustentável. Em entrevista ao Valor, o ministro do meio ambiente, Joaquim Leite, afirmou que o programa “olha para a neutralidade em carbono em 2050 e considera conservação florestal, menor uso de recursos naturais, geração de emprego e remuneração para quem preserva a floresta”. Segundo ele, a iniciativa será lançada via decreto até o final de outubro, antes da Conferência do Clima de Glasgow (COP26), onde deverá ser apresentada pelos negociadores brasileiros. Leite também conversou com o Estadão sobre a iniciativa.

De acordo com O Globo e Valor, uma das ações dentro desse programa de “crescimento verde” pode ter seu lançamento antecipado para esta semana para coincidir com os mil dias do governo Bolsonaro. A proposta cria um sistema de pagamentos para proprietários rurais que preservem florestas em parte de suas áreas. Parte dos recursos negociados com o NDB seria destinado especialmente para esse projeto. O Planalto estaria dividido sobre a antecipação desse anúncio: enquanto Guedes & Cia. querem apresentar o projeto o quanto antes, Leite entende que a apresentação deste na COP26, junto com o resto do programa, seria mais interessante.

Já o lado “Raquel” do ministro da economia quer a concessão automática de licença ambiental em caso de demora na análise, a extinção do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA); a revogação de regras de conservação na Mata Atlântica; e a derrubada de exigências para fabricação de agrotóxicos destinados à exportação, entre outras medidas. El País e O Globo sintetizaram as propostas antiambientais de Guedes, e o Valor destacou a reação de ambientalistas e entidades da sociedade civil à tentativa de Guedes de assumir o comando da boiada antiambiental em Brasília.

Em tese, as propostas de flexibilização de regras ambientais teriam sido formuladas em conjunto com o Movimento Brasil Competitivo (MBC), uma coalizão de empresas que reúne gigantes brasileiras como Gerdau, Braskem, Suzano e Grupo Globo, e multinacionais como Google, Facebook, IBM e Microsoft. No entanto, em nota divulgada no Valor, o MBC esclareceu que não participou da elaboração das propostas e que a cooperação com o ministério da economia se deu por meio de um estudo de 2019 sobre o “custo Brasil”.

Ruth ou Raquel? Nessa novela da vida real, não precisamos de muitos capítulos para sacar que a vilã terá o coração do mocinho no final da história.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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