COP26: Texto final aguado provocou queda nas ações de carvoeiras nas bolsas de todo o mundo

Enquanto muitos lamentavam a sutil troca de “abandonar” por “reduzir” na parte da Declaração de Glasgow que se refere ao carvão, chineses e indianos, responsáveis pelo enfraquecimento do texto, viram as ações de empresas do setor carvoeiro perderem valor. Aliás, segundo a Reuters, a queda aconteceu também na Indonésia e até nos EUA.

Nos últimos meses, a crise energética mundial fez a demanda e o preço decolarem e o setor achar que sobreviveria a mais essa. Mas mesmo a linguagem diluída foi suficiente para investidores perderem um pouco do apetite pelo carvão.

Embora estas quedas sejam um sinal relevante, o fato é que a demanda por carvão aumentou. Segundo a Bloomberg, China e Índia demandam cerca de 14 milhões de toneladas todo dia. A queima desta imensa massa responde por cerca de 20% de todas as emissões globais.

Na 2ª feira, o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Zhao Lijian, disse que a redução do consumo de carvão é um processo incremental que exigirá que o mundo desenvolvido abandone o carvão antes que o resto do mundo e passe a oferecer financiamento e tecnologia para fazer a transição nesses países. A notícia saiu na Bloomberg.

Nos EUA, o preço do carvão é hoje o maior em 12 anos e seu consumo deve aumentar pela primeira vez desde 2014. Isso porque, segundo o Financial Times, a recuperação da economia pós-pandemia elevou a demanda de eletricidade além do histórico, ao mesmo tempo em que o preço do gás natural dobrou.

Em tempo: Na Europa, nos últimos dias, o preço do gás subiu mais do que o do carvão. Isso fez aumentar a demanda por permissões de emissões no mercado de carbono europeu e, portanto, subir os preços. O preço da permissão chegou ao recorde de 66,97 euros a tonelada. Segundo analistas relataram à Bloomberg, a permissão se manteve relativamente estável nos últimos tempos apesar da montanha russa dos preços do carvão e do gás natural. O aumento desses preços nos últimos dias se somou ao cenário criado pela declaração de Glasgow e fez o preço do carbono dar a arrancada.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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