Cientistas recomendam fim imediato do desmatamento em áreas vulneráveis na Amazônia

O acordo sobre florestas assinado em Glasgow por 110 países, impõe parar todo e qualquer desmatamento ilegal até 2030. Também em Glasgow, o ministro Leite, do ambiente, prometeu acabar com o desmatamento ilegal até 2028, mesmo sabendo, com certeza, que 95% do desmatamento na Amazônia é ilegal.

O Painel Científico para a Amazônia avisou que isto não basta. Em relatório lançado nos últimos dias da COP26, eles se mostram muito preocupados com a degradação nas bordas da floresta ao Sul, onde há o risco de que algumas áreas ultrapassem o ponto de inflexão.

O climatólogo Carlos Nobre falou ao Valor, alertando que “estamos realmente à beira do precipício do ponto de inflexão, por isso uma das mensagens-chave desse relatório é a recomendação de uma moratória no desmatamento, na degradação florestal e no uso do fogo”.

Laís Modelli, no g1, destaca outro ponto do relatório. Parte importante das áreas protegidas na região estão ameaçadas por invasões ilegais, estradas, hidrelétricas, garimpo e mineração e a exploração de petróleo e gás. O relatório estima que quase 70% dos Territórios Indígenas e Unidades de Conservação estão sob risco de desmatamento e degradação.

Em tempo 1: Marta Salomon, na Piauí, comenta que o ministro Leite em um só fôlego pede recursos para proteger a região e diz que o Fundo Amazônia e o Fundo Clima seguem paralisados. Os Fundos estão com R$ 4,5 bilhões que o governo, de pirraça, colocou fora do alcance. A matéria diz que isso é mais de 13 vezes o que o governo orçou para combater o desmatamento no ano que vem.

Em tempo 2: Não custa lembrar um relatório da Oxfam que saiu em agosto, estimando que atingir o net zero até 2050 plantando árvores, requererá 1,6 bilhão de hectares ou 2 brasis de área nova ou mais que toda a área plantada hoje em dia. O Guardian e o Telegraph comentaram a importância da recuperação florestal e o sonho quixotesco de se salvar o clima plantando árvores.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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