Marina Silva vê ameaça à cooperação climática com nova política tarifária dos EUA

Para a ministra, a medida enfraquece o multilateralismo e ameaça a cooperação climática internacional indispensável para enfrentar as mudanças climáticas

Em declaração feita durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (04), a ministra Marina Silva criticou a decisão dos Estados Unidos de elevar tarifas de importação sobre produtos estrangeiros, incluindo os do Brasil, medida anunciada pelo ex-presidente Donald Trump. Ela alerta que esse “tarifaço”, com aumentos de pelo menos 10%, pode deflagrar uma guerra tarifária global, minando relações comerciais e a confiança entre nações.

Para Marina, a medida enfraquece o multilateralismo e ameaça a cooperação climática internacional indispensável para enfrentar as mudanças climáticas, visto que, em sua análise, ações unilaterais comprometem os esforços conjuntos para lidar com crises ambientais.

Para conferências como a COP30 em Belém, marcada para novembro, a confiança e cooperação entre países é essencial para que sejam firmados novos compromissos oficiais e metas globais que ajudem a frear as emissões de gases de efeito estufa no planeta, tanto entre países desenvolvidos, quanto em desenvolvimento.

Para conferências como a COP30 em Belém, marcada para novembro, a confiança e cooperação climática entre países é essencial.
Para conferências como a COP30 em Belém, marcada para novembro, a confiança e cooperação climática entre países é essencial | Foto: Chris Leboutillier | Unsplash

“Isso esgarça as relações, afasta a cooperação, mina as relações de confiança entre os povos. E o nosso papel é o de reforçar a solidariedade, o apoio, a cooperação e a livre iniciativa no mercado”, disse a ministra logo após o término da 11ª reunião dos ministros de Meio Ambiente do Brics, sem citar nominalmente os Estados Unidos e seu presidente.

Marina Silva destaca que a escalada de desconfiança entre as nações leva os países a desviar recursos essenciais que poderiam ser aplicados na luta contra as mudanças climáticas e na preservação da biodiversidade. Para ela, o foco global deveria estar em combater ameaças reais à vida e aos sistemas produtivos, como a pobreza, a crise climática, a desertificação e a perda de biodiversidade, em vez de travar guerras — sejam elas militares ou tarifárias.

COP 29 deve focar em financiamento climático e pautas como o mercado de carbono
COP 30 deve abordar financiamento climático | Foto: Freepik

Nova lei aprovada

A aprovação da Lei da Reciprocidade Comercial pelo Congresso Nacional brasileiro nesta semana autoriza o governo federal a reagir comercialmente contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras aos produtos brasileiros no mercado internacional. A medida visa proteger os interesses comerciais do Brasil diante de práticas consideradas discriminatórias, funcionando como uma resposta direta a ações como o aumento de tarifas promovido por outros países, assim como feito pelos Estados Unidos.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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