Comportamento do governo federal em relação à eleição é negativo para a economia

Segundo Luciano Nakabashi, as instituições precisam ser fortes para que a democracia tenha vitalidade e favoreça a população, e os ataques do governo federal aos demais poderes acabam sendo ruins, a curto e a longo prazo

A estratégia do governo federal para o enfrentamento do processo eleitoral que se aproxima e suas consequências para a economia é o tema da coluna Reflexão Econômica desta semana. Segundo Luciano Nakabashi, a estratégia adotada pelo governo está muito relacionada a se criar uma cortina de fumaça, desviando a atenção para o que realmente é importante para a população brasileira. “Também é um seguro para o caso de não conseguir a reeleição, por isso vemos o presidente, em muitas ocasiões, imitando o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, numa democracia muito mais estável, questionou o processo eleitoral e os resultados para tentar se manter no poder.”

Nakabashi diz que é muito provável que o presidente Jair Bolsonaro vá na mesma direção de Donald Trump, caso não consiga se reeleger via processo natural de eleições do País, criando uma cortina de fumaça e desviando a atenção dos brasileiros num momento em que o Brasil se encontra numa situação difícil. O professor lembra que parte dos problemas que o País enfrenta vem de fora, como a pandemia e a guerra entre Rússia e Ucrânia. “Mas muita coisa está relacionada ao que foi feito e ao que não foi feito na economia brasileira. O Brasil tem sentido muito mais os efeitos desses acontecimentos do que outros países, o que reflete as escolhas que têm sido feitas em relação à economia do País.”

Os efeitos econômicos dessa estratégia em relação ao processo eleitoral, segundo Nakabashi, são bastante ruins. “Os ataques às nossas instituições acabam as enfraquecendo ainda mais. Historicamente não tem problema nosso processo eleitoral, é bastante confiável e em outros momentos que aconteceram contestações não foram encontrados problemas, um processo rápido e muito mais confiável que de outros países.”

As instituições precisam ser fortes, diz Nakabashi, para que a democracia tenha vitalidade e favoreça a população, com liberdade de expressão e informação de qualidade, para que as pessoas façam boas escolhas, por isso esses ataques acabam sendo ruins, a curto e a longo prazo,  em termos de desempenho econômico, pois geram mais incertezas numa situação que já é delicada. “Temos várias classes insatisfeitas com a situação; desemprego, inflação e taxa de juros altos, somados a mais incertezas, vão criar um ambiente que pode sair do controle futuramente. Então esse tipo de comportamento é muito negativo para a economia e para a sociedade como um todo.”

Fonte: Jornal da USP

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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