Cimento sustentável feito com vidro reciclado promete reduzir pegada de carbono na construção civil

Os setores de construção e meio ambiente respondem por cerca de 37% das emissões globais de gases de efeito estufa; o cimento sustentável busca reduzir esses níveis

Tradicionalmente, o cimento é um material empregado na solidificação de solos para obras de infraestrutura, como fundações e estradas, devido à sua capacidade de melhorar a resistência, a compactação e a impermeabilidade do solo. Contudo, uma equipe de cientistas japoneses apresentou uma alternativa de cimento sustentável, utilizando sílica terrestre — um ativador alcalino derivado do vidro reciclado — em combinação com pó de corte de revestimento (SCP), um resíduo da indústria da construção.

Essa solução foi detalhada em um estudo publicado na revista Cleaner Engineering and Technology. A inovação oferece um material de baixo carbono, voltado para reduzir o impacto ambiental do setor, o que ganha relevância diante do contexto climático atual.

Cimento sustentável feito com vidro reciclado promete reduzir pegada de carbono na construção civil.
Cimento sustentável feito com vidro reciclado promete reduzir pegada de carbono na construção civil | Foto de Nel Ranoko na Unsplash

Isso porque, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), os setores de construção e meio ambiente respondem por cerca de 37% das emissões globais de gases de efeito estufa. O cimento destaca-se como um dos maiores responsáveis, contribuindo com aproximadamente 8% dessas emissões, segundo o Fórum Econômico Mundial.

A nova abordagem propõe, portanto, não só o reaproveitamento de resíduos, mas também uma diminuição significativa da pegada de carbono da construção civil.

Produção e qualidade do cimento sustentável

Durante os testes, os pesquisadores identificaram a presença de arsênio no vidro reciclado no cimento sustentável, o que representa um risco ambiental. A boa notícia é que já conseguiram neutralizar esse perigo por meio da adição de hidróxido de cálcio, que estabiliza os compostos tóxicos.

Assim, o novo material desenvolvido mostrou-se versátil, com aplicações em estabilizações de solos argilosos para pontes, rodovias e fundações, além de ser viável para a produção de blocos sólidos e resistentes que podem substituir concreto e tijolos. A tecnologia também se destaca por sua utilidade em situações de emergência, permitindo intervenções rápidas com menor impacto ambiental.

O novo material desenvolvido mostrou-se versátil, com aplicações em estabilizações de solos argilosos para pontes, rodovias e fundações.
O novo material desenvolvido mostrou-se versátil, com aplicações em estabilizações de solos argilosos para pontes, rodovias e fundações | Foto: Dillon Kydd/Unsplash

“Aproveitando dois resíduos industriais, conseguimos criar um solidificador de solo que atende aos padrões do setor e contribui para mitigar os problemas causados pelos resíduos da construção e pelas emissões de carbono”, declarou Shinya Inazumi, professor da Faculdade de Engenharia do Instituto de Tecnologia de Shibaura e autor principal do estudo.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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