Cientistas alertam: 2050 será tarde demais para zerar emissões

Cumprir todas as promessas de zerar emissões líquidas até 2050 não evitará que o aquecimento global passe o limite de 1,5°C. Ou, nas palavras do Climate Crisis Advisory Group, será um esforço demasiado pequeno e tarde demais (too little and too late). Eles publicaram um trabalho levando em conta o relatório recente do IPCC e os compromissos assumidos pelos países até agora. Pelas contas feitas, a concentração de CO2 na atmosfera passará dos atuais 415 ppm (partes por milhão) para cerca de 540 ppm. Para não ultrapassar os 1,5°C na metade do século, as emissões líquidas precisam ser significativamente negativas, ou seja, removendo mais CO2 da atmosfera do que o equivalente às emissões de todos os gases de efeito estufa. Assim, dizem, é fundamental que na COP26 os países tragam planos concretos e bem mais ambiciosos do que os que foram colocados na mesa até agora. Faltando 65 dias. O relatório pode ser baixado aqui. Vale ver o release do grupo e das matérias do UOL e O Globo.

Em tempo 1: Cerca 20% das maiores empresas do mundo se comprometeram a zerar suas emissões líquidas até 2050. O que acontece se não cumprirem a promessa? Um artigo interessante da Capital Monitor compara as leis de proteção ao consumidor contra uma infinidade de desgraças – da saúde ao bolso. Mas há um vazio no campo climático, e deveria haver como protegê-lo de falsas promessas. Por exemplo, estampando nas embalagens: “Este bife tem X% de desmatamento” ou “essa gasolina não é carbono-neutra” ou “essa eletricidade tem X% de carvão e petróleo na sua composição”.

Em tempo 2: O ex-prefeito de NY, Michael Bloomberg também não gosta das fragilidades dos compromissos de países e corporações para um longínquo 2050, afinal, como conta o Valor, “em 2050, não vai ter ninguém que está na política hoje na ativa.” Ele quer ver metas e compromissos em um horizonte onde estejam vivos e atuantes, tanto quem prometeu como quem pode cobrar pela promessa.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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