Cieam faz aniversário e denuncia insegurança jurídica

Em mais um artigo corajoso de defesa da Amazônia e da economia da ZFM, o presidente do Cieam, Wilson Périco, aponta os danos da insegurança jurídica. “Quando adotamos o princípio de que é possível mudar as regras do jogo no decorrer da partida, a insegurança jurídica afasta novos investimentos e obriga os antigos a buscar saídas fora do Custo Brasil”. Foi por isso que a Amazônia, sem debate prévio, teve suas reservas de segurança do Fundo Constitucional confiscadas para pagar as escolas particulares ligadas ao Fies. Se não reclamamos, eles vão levando as flores, o jardim e a nossa identidade.

Na celebração dos 38 anos, este é o recado mais importante. Para proteger companheiros da indústria, em clima de perseguição política ou de autoritarismo fiscal, Mário Guerreiro liderou nos meados dos anos 70 um movimento de insubordinação e de luta pelos direitos do setor privado, aquele que gera emprego, paga tributos e os salários da classe política e do servidor público. Por isso, Dr. Mário, seu exemplo e o de Edgard Monteiro de Paula, a busca da segurança jurídica, vão ficar perenizados em nossa trajetória de resistência e de conquista do protagonismo do setor privado.

(In) segurança jurídica e protagonismo institucional

Wilson Périco (*) [email protected]

Quando adotamos o princípio de que é possível mudar as regras do jogo no decorrer da partida, a insegurança jurídica afasta novos investimentos e obriga os antigos a buscar saídas fora do Custo Brasil. Falta ao País visão de médio e longo prazo, a adesão à uma cultura do planejamento. O Norte do Brasil, por sua vez, não consolidou uma articulação institucional e parlamentar capaz de impedir siga confiscando os fundos constitucionais de segurança da Amazônia – uma das regiões mais empobrecidas do Brasil, e a mais pródiga em recursos naturais e estratégicos – para financiar o Fies, o financiamento de alunos das escolas particulares de nível superior.

Nada contra financiar ensino de graduação, as empresas do Amazonas, entretanto, já pagam integralmente a universidade estadual. Nada contra usar verbas de pesquisas para qualificar alunos que se especializam no Exterior. Mas essa não é atribuição da Zona Franca de Manaus. Nossa responsabilidade pública é reduzir as desigualdades deste país desigual. E para isso, a riqueza aqui gerada tem que ser aqui aplicada, incluindo em infraestrutura que aumente a competitividade, portanto, o adensamento do parque industrial e a ampliação das receitas e de empregos de que precisamos.

Por isso, convalidar a guerra fiscal, esvaziando o Conselho da vigilância fazendária, significa implodir a economia sustentável da floresta, o maior acerto fiscal do Brasil na redução das desigualdades regionais e de proteção do bioma amazônico.

Exportador de saídas não só de recursos

Neste momento de incertezas que o Brasil atravessa e de definições para o nosso Estado, optamos por celebrar os 38 anos do Centro da Indústria do Estado do Amazonas e os 50 anos da Zona Franca de Manaus, homenageando nossos fundadores e buscando em suas trajetórias os paradigmas de luta que nos legaram.

Queremos destacar nas figuras do fundador Mário Guerreiro e de Moysés Israel, que nos deixou há um ano, o espírito obstinado de defesa desta terra, de suas riquezas naturais e da necessidade de integrá-la no roteiro Brasil de desenvolvimento integral e integrado e de prosperidade social. Eles nos legaram as lições de futuro que precisa ser permanentemente inquieto para destacar para o Brasil e para o mundo o Estado em sua totalidade e nas oportunidades que oferece, conectado a uma região estratégica, a Amazônia brasileira – desconhecida e negligenciada por um país que não dispõe de um projeto de aproveitamento integral e sustentável de suas promessas.

Mais do que exportador líquido de recursos – um papel secundário de sua integração – o Amazonas quer ser visto como respostas para as demandas econômicas do Brasil. Temos em abundância a potencialidade dos alimentos funcionais, fármacos, cosméticos e minerais estratégicos, de que a humanidade precisa, com destaque para a água, o bem natural mais precioso do século XXI.

Cumplicidade cívica

As empresas aqui instaladas reafirmam a necessidade de maior protagonismo do setor privado, fazendo valer sua contribuição objetiva na geração de riqueza e de recursos públicos, e na definição das premissas e direitos que este papel implica. Quem gera riqueza precisa e deve ter voz ativa, recusar o burocratismo inútil e apontar claramente as condições essenciais para o exercício de suas responsabilidades fiscais e socioambientais. Para tanto, é de extrema importância a articulação com as demais entidades do setor produtivo em seus diversos segmentos.

Todos precisamos identificar nossas expectativas, contribuições e exigências para trabalharmos em bloco. Ficarmos, cada entidade ou segmento, atuando de forma isolada e desarticulada, nossa força e avanços serão discretos, insuficientes e facilmente desrespeitados. Essa articulação, também, precisa operar em âmbito regional, onde as entidades do setor produtivo da Amazônia tem demandas comuns de infraestrutura de transportes, comunicação e energia. Exportamos energia limpa para o Brasil com a infraestrutura de nossas represas e a abundância de nossos recursos hídricos mas não conseguimos unidade para reivindicar em bloco direitos e facilidades.

O imperativo da mobilização, necessariamente, precisa focar na integração parlamentar, para forçar uma agenda comum para a bancada da Amazônia, como tem feito, historicamente, a do Nordeste com muitos acertos e ganhos. Portanto, sem cumplicidade cívica das entidades e da sociedade, base do protagonismo institucional e privado – que possa afirmar a relevância de nossa contribuição – não chegaremos a lugar algum, não iremos emprestar nossa expertise à República da gastança inconsequente de fazer mais com menos, muito menos demonstrar a necessidade da segurança jurídica para promover a recuperação econômica e institucional do Brasil.

(*) Wilson é presidente do CIEAM e vice-presidente da Technicolor para a AL.

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]
Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

Artigos Relacionados

Apreensão de 5,5 mil formigas raras expõe mercado ilegal na Europa 

Comércio de formigas raras cresce na Europa, incentiva a biopirataria no Quênia e amplia os riscos de introdução de espécies invasoras.

Quando um investimento passa a ser tratado como despesa

"O Brasil já amadureceu o suficiente para compreender que...

O investimento invisível do Brasil

Mas porque o mundo finalmente começou a compreender aquilo...

As cidades ainda são planejadas para um Brasil que já não existe

“Há fenômenos que crescem diante dos nossos olhos sem...