Cerrado recebe ajuda para recuperar áreas destruídas por queimadas

As unidades de conservação que compreendem o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, recebem, a partir desta semana, ajuda da iniciativa privada. Empresas de transporte regular, como a Rápido Federal e a Real Expresso, que operam na ligação rodoviária das cidades do Centro Oeste, iniciam um projeto inédito de incentivo à restauração de grande parte da vegetação de cerrado destruída pelos incêndios, praticamente 90% do que foi destruído nos anos de 2017 e 2019.

O Termo de Reciprocidade foi firmado entre as viações e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em benefício direto à Associação de Coletores de Sementes da Chapada dos Veadeiros, a Cerrado de Pé, em Alto Paraíso (GO). A ONG é responsável pela conservação do Cerrado e pela produção de sementes nativas deste bioma. O trabalho de plantio se estenderá até dezembro de 2021.

Segundo Claudomiro de Almeida Cortes, presidente da Cerrado de Pé, a ajuda vem em boa hora já que os incêndios e desmatamentos vêm destruindo muitas nascentes, veredas, matas ciliares. “Estamos falando de uma área que é o berço das águas. Temos muito a recuperar e todos os anos, infelizmente, a região sofre com as queimadas. Além das queimadas, temos a presença de pastagens de fazendeiros, como a criação de bois, bastante danosos à vegetação original”, explica Cortes, que coordena um trabalho de coleta de sementes nativas feito por 400 famílias, entre moradores da Chapada e integrantes do território Kalunga, o maior do Brasil.

As empresas financiam o replantio das áreas adquirindo as sementes geradas pela associação, praticamente a única atividade econômica e de sobrevivência destas famílias também bastante afetadas pela pandemia do coronavírus. 

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MATOPIBA | Foto: Greenpeace

“Inicialmente iremos recuperar uma área que foi destruída pelos dois maiores incêndios da região e que compreende uma nascente, conhecida como o Córrego dos Ingleses, próxima ao vilarejo de São Jorge e estaremos, ainda, desta forma, apoiando a geração de renda para estas comunidades”, complementa Alessandra Degaspperi, gerente de marketing da Real Expresso e Rápido Federal. 

O plantio será feito através da técnica da semeadura direta utilizando um mix de sementes nativas coletadas pelas famílias e aplicado ao solo.

Em fevereiro deste ano, a Real Expresso também iniciou uma ajuda à ONG “Rede contra Fogo”, que reúne 120 brigadistas e voluntários que monitoram e combatem os incêndios na região da Chapada. A empresa fez a doação de equipamentos para as equipes, que inclui uma estação meteorológica portátil para aperfeiçoar o monitoramento de incêndios e reflorestamento de áreas. No ano passado, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO) teve 10% de sua área devastada por outro incêndio.

Outras empresas decidiram se juntar a iniciativas como esta na Chapada dos Veadeiros. Uma delas é a Gipsyy, startup europeia de transporte que iniciou suas atividades no Brasil em janeiro de 2021 e que atua no segmento do turismo verde. “O apoio na recuperação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros nos permite prestar uma das primeiras contribuições ao meio ambiente no Brasil, tão carente em políticas públicas para sua preservação. Em Portugal, já mantemos um programa de redução e compensação de CO2 com mais de 480 toneladas no ano passado. Desenvolveremos o mesmo trabalho aqui apoiando projetos de reflorestamento e ações relacionadas à reciclagem”, explica Rodrigo Dabbieri, Head Digital da Gipsyy.

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Foto: © Mustafah Abdulaziz/ WWF-Brasil

O parque foi criado em 1961 e, em 2001, declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Nos últimos anos, os recursos federais dedicados à preservação ambiental e combate às queimadas caiu regularmente. O governo brasileiro lançou, em fevereiro de 2021, um programa destinado à preservação de unidades de conservação federais que permite o apadrinhamento dessas áreas.

Fonte: Ciclo Vivo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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