Carta aberta ao coração de Manaus

“É com esta fé que conclamo todos: que unamos nossas habilidades, nossas responsabilidades e nossos sonhos em torno desta causa maior. Que façamos do cuidado com o centro de Manaus um gesto de amor por nós mesmos e pelas próximas gerações — o verdadeiro coração de Manaus.”

Escrevo movido por uma herança que me ultrapassa. Não falo apenas em meu nome, mas em nome de uma família que, geração após geração, compreendeu que cuidar de Manaus é mais do que um dever — é uma missão de vida.

O centro histórico desta cidade, onde se ergueram os sonhos e se multiplicaram as esperanças de um povo, não pode continuar entregue ao abandono, ao silêncio e à sombra da indiferença. Ali pulsa, mesmo ferido, o coração de Manaus. Ali repousa a memória de uma vitalidade que um dia nos fez altivos, criativos, cosmopolitas.

coração de manaus
Manaus no coração da floresta amazônica – Foto Marcelo Freire

Um chamado à ação

Hoje, convoco não apenas os que governam, não apenas os que empreendem, não apenas os que creem ou ensinam, mas a todos nós — cidadãos desta terra que se fez grande à beira do Rio Negro.

1⁠ ⁠Precisamos de um mutirão de espíritos públicos, uma aliança de talentos e de compromissos, uma corrente de mãos estendidas que devolva ao centro de Manaus a dignidade de ser, novamente, o espaço de encontro, de convivência e de esperança.

Uma questão de identidade

Não se trata apenas de pedras, praças e casarões. Trata-se da vida que queremos para nós mesmos, da imagem que desejamos projetar ao Brasil e ao mundo.

2 ⁠Uma cidade que abandona o seu centro histórico abandona também a si mesma

3 ⁠Uma cidade que restaura seu coração reencontra a força de pulsar para o futuro.

Um futuro para Manaus

Eu creio que Manaus merece esse futuro. Eu creio que a Amazônia precisa desse exemplo. Eu creio que podemos — juntos — transformar ruínas em símbolos de renascimento.

É com esta fé que conclamo todos: que unamos nossas habilidades, nossas responsabilidades e nossos sonhos em torno desta causa maior. Que façamos do cuidado com o centro de Manaus um gesto de amor por nós mesmos e pelas próximas gerações.

Porque a história não nos perdoará se cruzarmos os braços. E a vida, que sempre renasce da floresta e das águas, espera também renascer do coração de nossa cidade.

Belmiro Vianez Filho
Belmiro Vianez Filho
Empresário do comércio, ex-presidente da ACA e colunista do portal BrasilAmazôniaAgora e Jornal do Commercio.

Artigos Relacionados

O custo climático e ambiental da inteligência artificial

Crescimento da IA pressiona a crise climática, amplia o uso de fósseis e eleva as emissões de carbono em escala global.

A Amazônia entre duas economias: a floresta em pé e a floresta nas sombras

A economia da floresta em pé é, por definição, uma economia de prazo longo. Ela exige investimento contínuo, qualificação, logística estável, pesquisa, financiamento paciente e, sobretudo, capacidade de fazer a prosperidade chegar aos rios, às estradas e aos municípios distantes — onde o custo de produzir legalmente ainda é alto demais para muita gente.

Terceiro setor acelera adoção de IA, mas ainda enfrenta desigualdades

Essa iniciativa dialoga com uma discussão cada vez mais...