Aumento do calor pode tornar animais mais agressivos, revela novo estudo

Pesquisas revelam que o calor e agressividade podem estar relacionados. Aumento das temperaturas pode tornar peixes, anfíbios, insetos e até mamíferos mais agressivos, afetando relações sociais e ecossistemas.

Em estudos recentes, pesquisadores têm observado um padrão entre calor e agressividade, temperaturas mais altas parecem estar ligadas ao aumento da agressividade em diversas espécies animais, de peixes a primatas. A constatação tem implicações importantes para a compreensão do comportamento animal e, possivelmente, para a sociedade humana.

Em experimento realizado por ecologistas nos Estados Unidos, salamandras de barriga preta demonstraram comportamento quatro vezes mais agressivo em ambientes aquecidos a 25 °C, acima das temperaturas de seus riachos nativos. As interações territoriais se tornaram mais intensas, com investidas e tentativas de mordida entre os indivíduos. O estudo é um dos exemplos que ajudam a explicar a possível relação entre calor e agressividade em espécies de sangue frio.

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Pesquisas apontam que o calor e agressividade estão ligados no comportamento das salamandras, que se tornam mais territoriais com o aumento da temperatura. Foto: Anastasia/Unsplash

Fenômeno semelhante foi identificado em formigas alpinas da Europa, mais propensas a ataques quando expostas a ambientes mais quentes. Assim como em pequenos peixes de água doce, que apresentaram mais disputas internas em tanques com variações térmicas diárias. A agressividade se manifesta mesmo entre membros de um mesmo grupo, alterando dinâmicas sociais básicas.

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A relação entre calor e agressividade também é observada em formigas alpinas, que reagem de forma mais hostil em ambientes naturalmente aquecidos. Foto: Alex Wild

Boa parte dos animais afetados são ectotérmicos, ou seja, sua temperatura corporal depende do ambiente externo. Em condições mais quentes, esses organismos têm o metabolismo acelerado, gastando mais energia e se tornando mais competitivos por recursos. A hipótese é que o estresse calórico, aliado à demanda energética, estimule comportamentos defensivos e hostis, reforçando o vínculo entre calor e agressividade.

Mamíferos também não estão imunes, mesmo sendo endotérmicos, ou seja, regulam sua temperatura internamente. Embora menos sensíveis, alguns estudos associam o aumento de calor ao crescimento da agressividade em cães, roedores e até seres humanos. Segundo especialistas, além da sobrecarga fisiológica, o desconforto de temperatura pode afetar o equilíbrio emocional e interferir em processos neurológicos. Em humanos, entender a ligação entre calor e agressividade é essencial para políticas públicas de saúde mental e segurança urbana em contextos de clima extremo.

O avanço das mudanças climáticas torna urgente compreender essas alterações comportamentais. A intensificação de conflitos entre animais pode desorganizar ecossistemas, afetar cadeias alimentares e aumentar a vulnerabilidade de espécies. Em humanos, o desafio é distinguir o impacto biológico do calor de fatores sociais e buscar formas de adaptação diante de um planeta cada vez mais quente.

Placa eletrônica de rua exibe temperatura de 40 graus em cenário urbano ensolarado
O aumento das temperaturas extremas nas cidades reforça o vínculo entre calor e agressividade, com possíveis impactos também no comportamento humano. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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