Caetano, Gaby, Pelé e Dira, entre outras personalidades, cobram mais empenho do governo nas buscas por Bruno e Dom na Amazônia

Por Mônica Nunes

Diante da inércia e morosidade do governo nas buscas pelo indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips – desaparecidos desde domingo, na região do Vale do Javari, na Amazônia (contei aqui) – artistas, músicos e outras personalidades têm se utilizado das redes sociais para protestar, cobrar as autoridades e engajar fãs e seguidores. 

Caetano Veloso se manifestou em show no Rio de Janeiro, esta semana: “Precisamos saber e exigimos que se descubra onde estão o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips, desaparecidos desde o último domingo. As buscas precisam ser intensificadas!”. O momento foi gravado e compartilhado pelo movimento 342 Amazônia. 

O ex-jogador de futebol Pelé, as atrizes Dira Paes e Camila Pitanga, o cantor e compositor Criolo, o ex-jogador de futebol e comentarista Walter Casagrande Jr. e a atriz e cantora Gaby Amarantos estão entre as personalidades indignadas com a morosidade das instituições que deveriam estar se empenhando para encontrar Bruno e Dom desde o primeiro minuto em que seu desaparecimento foi anunciado pela Univaja, associação indígena do Vale do Javari, que “monitorava” Bruno e Dom. 

“Vamos nos unir nesta corrente!”


No Twitter, Pelé compartilhou o vídeo de Alessandra Sampaio, esposa de Dom, no qual ela faz um apelo emocionado para o governo e escreveu: “A luta pela preservação da Floresta Amazônica e pela proteção dos povos indígenas é de todos nós. Estou comovido com o desaparecimento de Dom Phillips e Bruno Ferreira, que dedicam suas vidas para isso”.

Casagrande gravou um vídeo, publicado em suas stories no Instagram, no qual declarou: “É muito importante que eles sejam encontrados porque eles registram violações aos direitos humanos e do meio ambiente. Eles são amigos dos indígenas e não podemos ficar calados. A responsabilidade nas buscas é do nosso governo. E eu espero a ajuda de todas as autoridades”.

Destacando as hashtags #CadeBrunoEDom, #EncontremBrunoEDom e suas traduções para o inglês em seu Twitter, Criolo compartilhou um post publicado por Dom Phillips, em 2 de janeiro deste ano, com o link de uma entrevista na qual o músico declarava a dor de ter perdido sua irmã para a covid. 

Dira Paes tuitou marcando o Ministério da Defesa e a Polícia Federal: “CADÊ BRUNO E DOM? @govbr@DefesaGovBR e @policiafederal, Bruno e Dom estão desaparecidos há mais de 48 horas e precisamos de TODOS os recursos necessários para encontrá-los o quanto antes. O descaso com ativistas ambientais precisa acabar”. Depois voltou com a pergunta ilustrada pelo arte criada pelo ilustrador Cristiano Siqueira ou Cris Vector – que está se espalhando pelo país e pelo mundo:

cade dom e bruno2

Com a hashtag #CadeBrunoEDom. Camila Pitanga ilustrou seu post no Instagram com a mesma arte e escreveu, indignada: “É inacreditável a forma omissa e desumana que ativistas e imprensa são tratados (ou destratados) no Brasil. O jornalista Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira estão desaparecidos desde domingo. O mundo pergunta ONDE ESTÃO DOM E BRUNO?”. 

Em vídeo, no Instagram, depois de contar sobre o desaparecimento de Bruno e Dom, Gaby Amarantos e o quanto o trabalho deles é importante para a defesa dos direitos humanos, a proteção dos indígenas e a luta contra violações e crimes ambientais na região, pediu a seus 802 mil seguidores:

“Quero fazer um apelo pra você que está assistindo este vídeo pra que, juntos, possamos cobrar o nosso governo porque as buscas ainda estão muito fracas. A gente precisa de buscas mais intensas e ter realmente as autoridades envolvidas para a gente encontrar essas pessoas e saber o que aconteceu com elas. Por favor, vamos nos unir nesta corrente”.

Amizade e parceria


Desde 2018, Bruno acompanha Dom em suas reportagens investigativas pela Terra Indígena Vale do Javari, que concentra a maior população de indígenas isolados do Brasil e é palco de conflitos violentos e constantes devido às invasões de garimpeiros, madeireiros e traficantes de drogas, que ameaçam quem atravessa seu caminho.

Nesta viagem, Dom colhia informações para um livro sobre este cenário de abandono e violência, resultado da omissão do Estado. Bruno o acompanhava, como sempre. Conhece muito bem a região e seus moradores. Ambos sofreram ameaças durante a expedição e uma testemunha de um desses ataques disse que Dom fotografou os criminosos.

Texto originalmente publicado em Conexão Planeta 09/06/2022

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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