Recursos do Fundo Amazônia vão estruturar produção sustentável de borracha, pirarucu, cacau e cupuaçu na Amazônia

Com recursos do Fundo Amazônia, novo programa financiará equipamentos e estrutura para ampliar o acesso ao mercado e fortalecer cadeias produtivas da floresta na Amazônia Legal.

Foi lançado nesta terça-feira (9) o programa Florestas e Comunidades: Amazônia Viva, uma iniciativa do governo federal que vai investir R$ 96,6 milhões em projetos voltados à valorização da produção sustentável na Amazônia Legal. Os recursos, provenientes do Fundo Amazônia, serão aplicados ao longo de dois anos.

Coordenado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o programa busca estruturar e fortalecer as cadeias produtivas da floresta, promovendo a comercialização de produtos como borracha, pirarucu, cacau e cupuaçu. A proposta também visa ampliar o acesso de produtores amazônicos a mercados consumidores e integrar itens regionais aos programas públicos de alimentação, como o PAA e o PNAE.

Na primeira etapa, pelo menos 32 projetos serão selecionados, com apoio financeiro de até R$ 2,5 milhões por iniciativa. Poderão participar cooperativas e associações formadas por agricultores familiares, extrativistas, pescadores artesanais, povos indígenas e comunidades quilombolas da Amazônia Legal.

As propostas podem incluir desde assistência técnica e consultorias até aquisição de embarcações, veículos, máquinas e melhorias em infraestrutura de beneficiamento, armazenamento e escoamento.

Pesca manejada de pirarucu em rio da Amazônia, atividade que integra as cadeias produtivas da floresta e garante renda a comunidades ribeirinhas.
A pesca manejada do pirarucu é uma das atividades que geram renda e conservação na Amazônia, aliando conhecimento tradicional e uso sustentável dos recursos naturais. Foto: Larissa Franca Sema

Para facilitar a participação, a Conab promoverá oficinas virtuais com orientações práticas sobre como elaborar propostas adaptadas à realidade local. A intenção é garantir que os investimentos atendam de forma eficaz às necessidades das cadeias produtivas da floresta.

Além do apoio direto a projetos, o programa prevê R$ 16,5 milhões para aprimorar a gestão de dados sobre os sistemas sociobiodiversos da região, revisar metodologias de definição de preços mínimos e reforçar as unidades da Conab responsáveis pela execução do SociobioMais e outras políticas na Amazônia Legal.

Com isso, a iniciativa pretende não apenas ampliar o impacto econômico, mas garantir continuidade e reconhecimento das cadeias produtivas da floresta como eixo estratégico para o desenvolvimento sustentável da região.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

A insensatez de incendiar a floresta que abastece o Brasil

Com a chuva gerada pela Amazônia avaliada em mais...

Desmatamento na Amazônia atinge menor nível em 41 anos, aponta MapBiomas

Desmatamento na Amazônia cai ao menor nível em 41 anos, com 693 mil hectares perdidos em 2025, aponta MapBiomas.

Incêndios no Amazonas: Abin entra na investigação para apurar suspeita de ação organizada

Ministro aponta suspeita de ação organizada nos incêndios no Amazonas. Força-tarefa abre 120 procedimentos para investigar possíveis crimes.

Promessa de Flávio Bolsonaro contra desmatamento contrasta com atuação no Senado

Flávio Bolsonaro promete zerar o desmatamento ilegal até 2029, mas apoiou e promoveu medidas que reduzem a proteção ambiental.

As miragens de Trump e a conta para o Brasil

"Os Estados Unidos acumulam uma década de superávits comerciais...