Buraco no ozônio na Antártida é o menor em 5 anos e reforça sinais de recuperação

Relatório europeu aponta que o buraco no ozônio sobre a Antártida teve em 2025 o menor tamanho e duração em cinco anos, reforçando sinais concretos de recuperação global.

O buraco no ozônio sobre a Antártida em 2025 foi o menor e o de fechamento mais precoce desde 2019, sinalizando um avanço importante na recuperação da camada que protege a Terra da radiação ultravioleta. A análise consta de boletim divulgado pelo Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus, da União Europeia, que acompanha alterações atmosféricas globais.

Gelo azul e montanhas nevadas na Antártida em ano de redução do buraco no ozônio.
Vista da região antártica em 2025, ano em que o buraco no ozônio foi o menor em meia década. Foto: Wikimedia/Joe Mastroianni, National Science Foundation

Segundo o relatório, a abertura do buraco no ozônio começou em agosto e teve um comportamento distinto dos anos anteriores, especialmente em comparação com o período de 2020 a 2023, quando as anomalias se destacaram por sua intensidade e longa duração. O recorde de fechamento mais tardio ocorreu em 2020, quando a abertura só se encerrou em 28 de dezembro.

Para os especialistas do Copernicus, o resultado observado em 2025 é atribuído principalmente à continuidade dos efeitos do Protocolo de Montréal, tratado internacional firmado em 1987 por 198 países, que eliminou gradualmente mais de 99% das substâncias destrutivas à camada de ozônio, como os CFCs e o brometo de metila.

Gráfico de linha com comparação da área do buraco no ozônio sobre a Antártida entre 2023, 2024 e 2025.
Gráfico do Copernicus mostra que o buraco no ozônio sobre a Antártida foi significativamente menor em 2025, com fechamento precoce e área reduzida. Foto: Copernicus

A diretora do CAMS, Laurence Rouil, classificou o avanço como um reflexo da cooperação global bem-sucedida. “É uma lembrança do que a comunidade internacional pode alcançar diante de desafios ambientais complexos”, afirmou.

O relatório também destaca que eventos extremos como a erupção do vulcão Hunga Tonga, em 2022, contribuíram para o agravamento do buraco no ozônio em anos anteriores, ao injetar vapor d’água e cinzas na estratosfera. Apesar disso, os dados mais recentes são promissores. Além da Antártida, o Ártico apresentou, em março de 2024, uma camada de ozônio 14% mais espessa que a média histórica da região.

A previsão mais recente da Organização Meteorológica Mundial é de que a camada de ozônio esteja totalmente recuperada até 2050, um marco com potencial de reduzir significativamente os riscos de doenças como câncer de pele e catarata, além dos impactos nos ecossistemas.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Cobra com patas de 100 milhões de anos muda teoria sobre evolução das serpentes

Fóssil de cobra com patas encontrado na Argentina revela novas pistas sobre a evolução das serpentes e desafia teorias antigas.

O que são panapanás? Entenda o fenômeno das borboletas na Amazônia

Panapaná reúne milhares de borboletas na Amazônia e revela conexões entre ciclos dos rios, biodiversidade e mudanças climáticas.

Terras raras, soberania rara

Num mundo em disputa por minerais críticos, semicondutores, dados...

Estudo na revista Nature revela que microplásticos no ar foram superestimados

Estudo revela que microplásticos transportados pelo ar vêm majoritariamente da terra e desafiam modelos globais sobre poluição.

Após 10 anos, Brasil atualiza lista de espécies aquáticas ameaçadas de extinção

Nova lista atualiza cenário das espécies aquáticas ameaçadas no Brasil e reforça medidas contra sobrepesca, poluição e perda de habitat.