Brasil gasta milhões em saúde por saneamento básico inadequado

No Dia Mundial da Água, 22 de março, a Rádio USP destacou o potencial econômico desperdiçado pelo Brasil devido à falta de aproveitamento dos esgotos sanitários. A estação enfatizou como essa negligência resulta em custos milionários para o tratamento de doenças associadas à água contaminada, apontando para os dados do Datasus que indicam um gasto público de cerca de R$ 99 milhões, associado a uma incidência de 12,46 internações por cada 10 mil habitantes por doenças relacionadas à água.

A análise reflete a grave situação do saneamento básico no país, onde 32 milhões de brasileiros ainda carecem de acesso a água potável e mais de 92 milhões estão sem sistemas de coleta e tratamento de esgoto adequados. Giovana Tommaso, professora da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, ressalta a disparidade crescente entre a coleta e o tratamento de esgotos entre 2015 e 2018, projetando que a universalização da coleta de esgotos no Brasil poderia ser alcançada até 2030, mas a do tratamento somente em 2060.

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Giovana Tommaso – Foto: Reprodução / Acolhe FZEA

A professora Tommaso critica a insuficiência dos investimentos em saneamento e pesquisa, sublinhando a urgência de ação por parte das autoridades para endereçar este desafio de saúde pública e ambiental. Ela aponta para a necessidade de um comprometimento real do poder público, para além do cumprimento das demandas globais, adaptando-se às especificidades e necessidades locais do Brasil.

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Foto divulgação

O debate se estende ao potencial de transformar o prejuízo em lucro através da valorização da matéria orgânica contida nos esgotos para a produção de biogás, que pode ser convertido em energia elétrica ou utilizado como fonte de calor. Além disso, destaca-se o aproveitamento de águas residuais agroindustriais para a produção de ácidos orgânicos, utilizáveis na criação de bioplásticos, promovendo uma gestão de resíduos mais sustentável.

Ao final, Giovana Tommaso enfatiza a necessidade de adotar práticas regenerativas e corretivas para o meio ambiente, reiterando a importância vital da água para a sustentabilidade da vida.

*Com informações JORNAL DA USP

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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