Infovia 5 leva fibra óptica pelo Rio Madeira e deve alcançar 700 mil pessoas

Com cabos subaquáticos e terrestres, a Infovia 5 ampliará a conectividade para mais de 700 mil moradores de nove municípios do Amazonas e de Rondônia.

Mais de 700 mil moradores de nove municípios do Amazonas e de Rondônia poderão ter o acesso à internet ampliado com a implantação da Infovia 5. Integrada ao programa Norte Conectado, a infraestrutura começou a ser instalada no Rio Madeira e conectará Autazes (AM) a Porto Velho (RO).

O projeto da Infovia 5 prevê 1.116 quilômetros de cabos de fibra óptica no leito do rio e outros 210 quilômetros de rede terrestre. A conexão deverá alcançar hospitais, escolas, unidades das Forças Armadas, órgãos do Judiciário e outros serviços públicos localizados em áreas onde a cobertura de internet ainda é limitada. A rede da Infovia 5 também poderá ser utilizada por provedores privados, que ficarão responsáveis pela oferta comercial de conexão à população. O serviço, portanto, não será gratuito.

De acordo com o Ministério das Comunicações, as empresas interessadas deverão participar de um chamamento público para integrar o consórcio encarregado da operação e da manutenção da infraestrutura. O grupo deverá reunir entre três e 12 empresas e terá uma liderança responsável pela interlocução com o governo. Metade da capacidade da rede será reservada ao poder público, enquanto os outros 50% poderão ser explorados comercialmente pelos integrantes do consórcio.

“Essa infraestrutura foi desenhada para que metade da capacidade dela seja utilizada pelo consórcio, para exploração comercial, e a outra metade seja utilizada pelo poder público, para interligar escolas, hospitais, Forças Armadas e outros órgãos públicos”, disse o coordenador-geral de Projetos de Infraestrutura do Ministério das Comunicações, Ângelo Lorenzo.

Instalação começa entre Autazes e Manicoré

A primeira fase da operação compreende o trecho entre Autazes e Manicoré, no Amazonas, e deve levar de 19 a 20 dias. Os cabos são lançados por uma balsa-plataforma adaptada para esse tipo de trabalho. Antes da instalação, equipes técnicas analisaram a profundidade do rio, as características do solo, a existência de formações rochosas e os locais mais expostos aos efeitos da seca. Os dados orientaram a escolha do percurso e ajudaram a identificar os pontos de maior vulnerabilidade.

A Entidade Administradora da Faixa (EAF), responsável pela execução, estima investimentos entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões. Segundo a CEO da entidade, Gina Marques, os cabos possuem 24 pares de fibras ópticas, dos quais apenas um será ativado inicialmente. A capacidade restante permitirá futuras expansões da rede.

Navegação, dragagens e garimpo elevam riscos

A instalação no Rio Madeira enfrenta dificuldades relacionadas ao intenso tráfego de embarcações e às dragagens realizadas para conservar a navegabilidade durante a estiagem. A atuação de garimpos ilegais também aumenta o risco de danos aos cabos. “O Rio Madeira é um rio muito diferenciado e um dos mais complexos de todas as infovias que a gente está fazendo pelo nível de navegação intensa. E outra preocupação nossa é que isso é bem complexo porque não dá para a gente prever”, afirmou o diretor de Operações da EAF, Geraldo Segatto.

No percurso entre Manicoré e Porto Velho, a fibra óptica será enterrada nos pontos considerados mais críticos. A medida busca protegê-la de dragagens e de outras intervenções no fundo do rio. Já entre Autazes e Manicoré, o cabo será acomodado diretamente sobre o leito. Todo o trajeto é georreferenciado e compartilhado com a Marinha e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Com essas informações, os órgãos poderão planejar futuras dragagens sem atingir a estrutura da Infovia 5.

Depois da conclusão do lançamento dos cabos, o projeto entrará na fase de instalação dos Centros Móveis de Alta Disponibilidade. Os módulos abrigarão os equipamentos necessários ao funcionamento da rede e contarão com painéis solares e baterias, capazes de manter o serviço em caso de interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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