Governo usa El Niño para justificar antecipação de termelétricas fósseis

Antecipação de termelétricas movidas a gás e diesel acrescentará R$ 4,75 bilhões à conta de luz e elevará as emissões do setor elétrico brasileiro.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) aprovou a antecipação de termelétricas que, juntas, poderão gerar 1,8 gigawatt (GW). A medida envolve cinco empreendimentos, começa a valer em 1º de setembro e deverá acrescentar R$ 4,75 bilhões aos custos pagos pelos consumidores de energia elétrica. As usinas utilizam combustíveis fósseis: quatro funcionam com gás e uma com óleo diesel. Além do impacto tarifário, o acionamento aumentará as emissões de gases de efeito estufa do setor elétrico brasileiro.

O governo afirma que a antecipação de termelétricas busca reforçar a segurança do abastecimento diante dos possíveis efeitos do El Niño e das instabilidades geopolíticas que pressionam os preços internacionais do petróleo e do gás. De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), foram priorizados os empreendimentos que atendiam às exigências operacionais do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e apresentavam os menores custos para os consumidores.

Inicialmente, o MME consultou 13 projetos sobre a possibilidade de antecipar a geração. Seis demonstraram interesse e cinco foram selecionados. Quatro pertencem ao Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 e começariam a fornecer energia entre dezembro de 2026 e janeiro de 2028. A mudança também provocará a extensão dos contratos.

Três unidades são controladas pela Petrobras: Termomacaé, no Rio de Janeiro; Termoceará Diesel, no Ceará; e Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul. As demais pertencem à Âmbar Energia, dos empresários Joesley Batista e Wesley Batista: Araucária, no Paraná, e Manaus I, no Amazonas. Esta última foi contratada em um leilão realizado em 2022. A antecipação de termelétricas ocorre enquanto o MME tenta solucionar os prejuízos enfrentados pelas fontes renováveis. A pasta publicou uma portaria para viabilizar o ressarcimento de geradores solares e eólicos afetados por cortes obrigatórios de produção.

A compensação contempla interrupções relacionadas à indisponibilidade externa e à confiabilidade elétrica ocorridas entre setembro de 2023 e novembro de 2025. A norma, porém, não incluiu os cortes provocados pela oferta de energia acima da capacidade de absorção do sistema, uma das principais reivindicações das associações de fontes renováveis.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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