Bolsonaro mira na madeira ilegal e acerta diplomacia internacional

Na ausência de pólvora, o presidente Jair Bolsonaro decidiu usar a saliva para criar (mais) tensão com importadores do Brasil. Foi durante a abertura da Cúpula dos Líderes dos BRICS realizada virtualmente ontem (17). Alegando que a Polícia Federal teria meios para localizar a origem da madeira exportada pelo Brasil, Bolsonaro ameaçou divulgar uma lista de países que importam madeira ilegal do Brasil. Como se tratava de discurso e não entrevista, não foi possível perguntar porque essa tecnologia não é usada para impedir essas exportações e punir os responsáveis. Mas foi possível deduzir para quem seria o recado: alguns dos “mais severos críticos” da política do Brasil na Amazônia, segundo Bolsonaro. A notícia repercutiu nos UOL, Estadão e G1, entre outros.  Mas quem explicou a origem da teoria bolsonariana foi a Folha: uma operação da Polícia Federal que em 2017 apreendeu 120 containers com 2.400 m³ de madeira extraída ilegalmente e que seria vendida para empresas importadoras de Alemanha, Bélgica, Dinamarca, França, Itália, Holanda, Portugal e Reino Unido. De acordo com o jornal, a tecnologia para o rastreamento de madeira existe e é usada pela Superintendência da Polícia Federal do Amazonas. Ela teria sido apresentada aos embaixadores convidados pelo vice-presidente Hamilton Mourão para uma viagem à Amazônia. para pedir colaboração dos respectivos governos no combate a essa prática. Diplomatas ouvidos pela Folha analisam que a fala presidencial, que foi por outro caminho, deve aumentar as tensões com esses países na arena ambiental. N’O Globo, Francisco Leali argumenta que apontar o dedo para quem importa madeira ilegal do Brasil não resolve o problema da própria imagem, corroída no exterior, mas pode gerar o indefectível vídeo para manter viva a imagem fabricada para consumo nas redes sociais.

Em tempo 1: O G1 informa que neste domingo (15) a Polícia Federal apreendeu uma balsa com 2.700 metros cúbicos de madeira em toras nativas do bioma amazônico, que ficou encalhada no Rio Mamuru, na região de Parintins, interior do Amazonas. O valor declarado foi de aproximadamente R$ 550 mil.

Em tempo 2: Em artigo no Estadão, o cientista político Hussein Kalout detalha como, sem o presidente Donald Trump na Casa Branca, o Brasil ficou sem projeto e sem bússola nas relações internacionais e lembra: “Meio ambiente e atração de investimentos estão cada vez mais entrelaçados. País que desmata e que não preserva os seus biomas, tem poucas chances de receber investimentos qualitativos.”

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Duas rodas, novos investimentos e a mobilidade que passa por Manaus

“A expansão das fabricantes no Polo Industrial mostra como...

Petrobras identifica hidrocarbonetos na Foz do Amazonas, mas não confirma petróleo

Petrobras identifica hidrocarbonetos na Foz do Amazonas, mas resultado ainda não confirma petróleo, gás ou viabilidade comercial.

Plantas raras consideradas extintas são reencontradas em Minas Gerais por cientistas

Plantas raras são redescobertas em Minas Gerais após décadas sem registros e serão estudadas para reprodução e reintrodução na natureza.

Aurélio Michiles: “Honestino não é um filme nostálgico. É um alerta”

"Em entrevista ao Brasil Amazônia Agora, Aurélio Michiles define Honestino como...

O PNL 2050 e a logística da desigualdade

"PNL 2050 concentra os principais eixos rodoviários nas regiões...