Bolsonaro faz manobra para derrubar Marcelo Ramos da Mesa Diretora da Câmara

Vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL), disse que o “desejo do presidente” Jair Bolsonaro (PL) é que o parlamentar amazonense “troque a manutenção no cargo de vice por silenciar em relação à ZFM“

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PSD), disse que o “desejo do presidente” Jair Bolsonaro (PL) é que o parlamentar amazonense “troque a manutenção no cargo de vice por silenciar em relação à ZFM (Zona Franca de Manaus)“. A declaração foi feita nesta segunda-feira (9/5), após vir a público a pressão do presidente dentro do PL, atual partido de Bolsonaro e ex-legenda de Ramos, para derrubar o deputado federal do cargo de vice-presidente da Casa.

A pressão do PL tem como base dispositivo do regimento da Câmara que prevê que o integrante da Mesa Diretora que mudar de partido perde o cargo, por efeito. No entanto, uma decisão da Câmara de 2016 mudou a regra e passou a permitir a troca de partidos, desde que para o mesmo bloco político interno.

Retaliação

Precavido, Ramos recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o ministro Alexandre de Moraes concedeu liminar que permite ao vice-presidente se abster de acatar qualquer decisão do PL que culmine no afastamento da Mesa Diretora. Cabe recurso à decisão.

“O desejo do presidente é que eu troque a manutenção no cargo de vice por silenciar em relação à ZFM. Não me curvarei nem trocarei o futuro do meu estado por cargos. Seguirei lutando pelos empregos, pelas escolas, pelos hospitais, pela floresta, pelo futuro do Amazonas”, disse Ramos, classificando a atitude do presidente como retaliação às críticas que faz ao seu governo, em especial à suspensão dos decretos que reduzem o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e que impactam negativamente a Zona Franca de Manaus (ZFM).

Eleito com 396 votos dos colegas em seu primeiro mandato, Ramos foi eleito na chapa de Arthur Lira (PP), para exercer a função até o final deste ano, ou seja, ao final da legislatura.

Covid-19

A ida de Bolsonaro para o PL é um capítulo à parte na briga com Ramos, que, ao saber da filiação, pediu desligamento da sigla e migrou para o PSD, cujo expoente em 2020 foi o senador Omar Aziz, voz crítica ao governo durante o período em que presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19. A mudança foi oficializada em fevereiro deste ano.

Na semana passada, Aziz disse não acreditar que o presidente iria prejudicar “todo um estado no qual ele teve mais de 60% dos votos por causa de uma pessoa”, disse o senador, referindo-se ao embate diante da crise provocada pela pandemia, inclusive, com milhares de mortos, por falta de oxigênio em Manaus, capital do Amazonas. 

Fonte: Correio Braziliense

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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