Cientistas brasileiros produzem biofertilizante de lodo de esgoto

Após mais de uma década de intensas pesquisas, cientistas brasileiros, liderados pela Universidade de Brasília (UnB), alcançaram um marco significativo na agricultura sustentável. Eles desenvolveram um biofertilizante inovador, conhecido como biochar-k ou biocarvão, feito a partir de lodo de esgoto. Este novo fertilizante não só é mais nutritivo do que os convencionais, mas também contribui para a redução da emissão de gases de efeito estufa.

O projeto, iniciado em 2012, é liderado pelo professor Cícero de Figueiredo, que detalhou o processo de pirólise utilizado para transformar o lodo em biocarvão. A pirólise, um método de combustão sem oxigênio, permite a conversão do lodo em um material rico em nutrientes. Com um esforço adicional, a equipe conseguiu enriquecer o biocarvão com potássio, ampliando ainda mais a sua eficácia.

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Foto: Reprodução/Arquivo pessoal.

Joisman Facchini, que realizou seu doutorado no contexto deste projeto, ressaltou a versatilidade do biofertilizante. Segundo ele, testes realizados em diversas culturas, incluindo grãos como milho e soja, hortaliças como rabanete e tomate, e até mesmo mudas de espécies florestais, demonstraram resultados excepcionais.

A equipe de pesquisa se dedicou não apenas ao desenvolvimento do produto, mas também à avaliação da liberação de nutrientes no solo e a testes de campo. O baixo custo de produção, um dos principais atrativos do biochar-k, é resultado do gasto energético limitado apenas à etapa de pirólise.

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Fertilizante é sustentável e apresenta baixo custo por ser feito de lodo de esgoto. Foto: Reprodução/Arquivo pessoal (UnB).

Uma colaboração com a Embrapa Hortaliça possibilitou testes adicionais com rabanetes, evidenciando o potencial do fertilizante em melhorar o fornecimento de nutrientes para as plantas. Joisman destacou a eficiência do biochar-k, observando que apenas 50% do material é perdido em 30 dias de incubação, uma característica que beneficia tanto os aspectos econômicos quanto ambientais da produção agrícola.

Esta inovação representa um avanço significativo não apenas para a agricultura brasileira, mas também para práticas agrícolas sustentáveis globalmente, alinhando produtividade com responsabilidade ambiental.

Pesquisadores em busca de aprimoramentos ecológicos no biocarvão

O time de cientistas brasileiros, após desenvolver com sucesso o biochar-k, um fertilizante sustentável feito de lodo de esgoto, está agora focado em aprimorar ainda mais seu produto. O objetivo é criar formulações que tornem o biocarvão ainda mais ecológico e alinhado com as normas da agronomia orgânica.

Marcela Granato, engenheira ambiental de 32 anos e doutoranda em agronomia, é uma das pesquisadoras-chave nessa nova fase do projeto. Em sua tese de doutorado, Granato explora maneiras de incorporar pós de rocha ao biocarvão, visando aumentar sua eficácia e sustentabilidade. “Estamos no primeiro ano de pesquisa e buscamos usar pós de rocha”, explicou Granato, enfatizando o compromisso da equipe com a inovação contínua.

Esses esforços visam não apenas melhorar a qualidade do biocarvão, mas também assegurar que ele atenda aos padrões rigorosos da produção agrícola orgânica. O trabalho da equipe de pesquisa, já reconhecido por seu impacto positivo no setor agrícola e ambiental, promete contribuir ainda mais para práticas agrícolas sustentáveis e responsáveis.

*Com informações SÓ NOTICIA BOA

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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