Substâncias com potencial biomédico são identificadas na Amazônia Azul

Substâncias descobertas em organismos marinhos das ilhas da Amazônia Azul têm potencial para tratar doenças e ajudam a entender os impactos das mudanças climáticas no oceano

Pesquisa conduzida pela USP, em parceria com a Unifesp e a Universidade Federal do Ceará, identificou compostos bioativos promissores em organismos invertebrados marinhos da Amazônia Azul. As substâncias, presentes em espécies como Palythoa caribaeorum, Palythoa variabilis e Zoanthus spp., foram coletadas em ilhas dos arquipélagos de São Pedro e São Paulo, Trindade e Martim Vaz, Fernando de Noronha e Atol das Rocas.

Descrição alternativa: Imagem da Ilha da Trindade, isolada no oceano, rodeada pelas águas azul-escuras da Amazônia Azul. A paisagem destaca formações rochosas, vegetação nativa e a imensidão marinha que protege uma biodiversidade única e ainda pouco explorada.
Ilha da Trindade, parte da Amazônia Azul. A Amazônia Azul é um marco territorial estratégico do Brasil, com importância equivalente à da Floresta Amazônica. Foto: Simone Marinho / Wikimedia Commons.

Os resultados reforçam o potencial das ilhas da Amazônia Azul como um laboratório natural para descobertas científicas. A pesquisadora Bianca Sahm, da USP, aponta que se uma substância tem função na natureza, é provável que também possa beneficiar a saúde humana. “Compreender padrões e funcionalidades ecológicas é o primeiro passo para a prospecção de substâncias com potencial biomédico ou biotecnológico”, afirma.  Entre as aplicações dos compostos encontrados em organismos da Amazônia Azul, destaca-se o desenvolvimento de fármacos. 

O estudo afirma ainda que, por se tratar de uma região mais afastada da ação humana direta, o ecossistema das ilhas também contribui para analisar os impactos das mudanças climáticas sobre o oceano. As próximas etapas da pesquisa buscarão compreender as consequências das mudanças climáticas no oceano para atuar reduzindo danos ambientais. 

Zoantídeos coloridos emergem entre pedras submersas nas águas cristalinas da Amazônia Azul. Esses organismos marinhos, fixos sobre rochas, compõem um ecossistema rico em biodiversidade e são estudados por seu potencial biomédico, com substâncias que podem contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos.
Imagem de Zoantídeos, organismos marinhos que despertam interesse científico por seu potencial na produção de compostos medicinais. Foto: Jiří Mikoláš.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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