12 espécies impressionantes da biodiversidade do Cerrado

Espécies emblemáticas revelam como a biodiversidade do Cerrado sustenta cadeias ecológicas, atividades da bioeconomia e pesquisas científicas que ampliam o conhecimento biomédico.

O Cerrado é a savana mais biodiversa do planeta e ocupa cerca de 24% do território brasileiro. Entre campos abertos, veredas e matas de galeria, a biodiversidade do Cerrado surpreende pelo número de espécies de plantas e animais, muitas delas endêmicas. Além da riqueza biológica, o bioma é estratégico para a água, o clima e a produção de alimentos. Conheça 12 espécies da biodiversidade do Cerrado. 

Anta (Tapirus terrestris)

Maior mamífero terrestre do Brasil, pode ultrapassar 300 kg. A anta tem hábitos noturnos e é excelente nadadora, vivendo próxima a rios e veredas. É uma das principais dispersoras de sementes do bioma, ajudando a moldar a paisagem vegetal. O seu focinho flexível funciona como uma pequena “tromba”, usada para colher folhas e frutos.

Anta caminhando em área de água no Cerrado brasileiro, símbolo da biodiversidade do Cerrado.
Maior mamífero terrestre do Brasil, a anta ajuda a dispersar sementes e moldar a paisagem da biodiversidade do Cerrado. Foto: Gustavo Figueiroa

Baru (Dipteryx alata)

Árvore imponente do Cerrado, produz uma amêndoa rica em proteínas, muito usada em paçocas, farinhas e doces regionais. O baru integra cadeias da sociobiodiversidade e tem alto valor nutricional, sendo estudado por suas propriedades funcionais e potencial na alimentação saudável.

Fruto de baru aberto mostrando a amêndoa, espécie típica da biodiversidade do Cerrado.
Foto: Divulgação/ Embrapa

Buriti (Mauritia flexuosa)

Palmeira típica das veredas, pode atingir 30 metros de altura. Os seus frutos alaranjados são ricos em vitamina C e carotenoides. Da polpa se produzem doces, sorvetes e óleos culinários; já as fibras e as folhas são usadas em artesanato. É uma das espécies mais importantes para comunidades tradicionais do Cerrado.

buriti
Foto: Feito Brasil

Cajuzinho-do-Cerrado (Anacardium humile)

Pequeno e suculento, de coloração que varia entre amarelo e vermelho, ele possui sabor ácido e refrescante. A sua castanha contém óleo com propriedades medicinais. Animais como a raposa-do-campo ajudam a dispersar suas sementes.

Cajuzinho-do-Cerrado maduro, fruto nativo da biodiversidade do Cerrado.
Foto: Irany Vieira

Jaguatirica (Leopardus pardalis)

Felino de porte médio, solitário e de hábitos noturnos. Apresenta manchas em rosetas que formam bandas laterais características. Alimenta-se de pequenos e médios vertebrados e é essencial para o equilíbrio ecológico.

Jaguatirica com pelagem de rosetas em área de mata do Cerrado, parte da biodiversidade do Cerrado.
Foto: Proteção Animal Mundial.

Jatobá (Hymenaea courbaril)

Árvore que pode atingir até 40 metros de altura. Os seus frutos produzem uma farinha nutritiva consumida tradicionalmente em comunidades rurais. A madeira é altamente valorizada e a espécie tem forte significado cultural por fazer parte de rituais sagrados dos povos originários. 

Árvore de jatobá de grande porte em área de Cerrado, representando a biodiversidade do Cerrado.
Foto: Clayton A.A.

Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus)

Símbolo do Cerrado, é o maior canídeo da América do Sul, podendo chegar a 36 kg. Alimenta-se de pequenos animais e frutos como a lobeira (Solanum lycocarpum), a qual recebeu este nome justamente pela preferência do lobo-guará. De hábitos solitários, também integra o imaginário cultural da região, fazendo parte de lendas e histórias populares.

Lobo-guará de pelagem alaranjada em campo de Cerrado, ícone da biodiversidade do Cerrado.
Foto: Martin Harvey / WWF-Canon

Onça-pintada (Panthera onca)

Maior felino das Américas e predador de topo da cadeia alimentar, a onça-pintada possui uma das mordidas mais potentes entre os felinos. Por isso, o animal controla populações de presas e é fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas.

panthera jag2
Onça-pintada no Pantanal. Foto: Steve Winter/Panthera

Pequi (Caryocar brasiliense)

Fruto emblemático da culinária do Cerrado, o pequi é presença marcante em pratos tradicionais como arroz com pequi, galinhada e preparos com frango ou carne de sol. De aroma intenso e sabor característico, também é usado em conservas, licores, sorvetes e óleos culinários.

Rico em vitaminas A, C e E e em compostos antioxidantes, integra cadeias da sociobiodiversidade e movimenta economias locais, especialmente em Goiás e no norte de Minas Gerais. O seu caroço é envolto por espinhos finos, o que exige cuidado ao consumir a polpa.

Imagem de pequi do Cerrado, fruto típico de casca verde e polpa amarela intensa.
O pequi (Caryocar brasiliense) é uma das espécies mais emblemáticas do Cerrado, base de cadeias da bioeconomia que geram renda e valorizam saberes tradicionais. Foto: Fábio Salles/ Adobe Stock

Perereca-das-nascentes (Phyllomedusa oreades)

Anfíbio endêmico do Cerrado, ocorre em riachos de altitude acima de 750 metros, especialmente em áreas de matas de galeria. De coloração verde com desenhos reticulados na parte inferior do corpo, é bastante sensível a alterações ambientais e indicadora da qualidade da água.

Pithecopus oreades Serra de Caldas Goias. Foto Reuber Brandao
Foto: Reuber Brandão.

Seriema (Cariama cristata)

Ave símbolo do Cerrado, pode atingir até 90 cm de comprimento. Possui plumagem cinza-amarelada, patas e bico avermelhados. Ela apresenta cílios, característica rara entre aves. Vive em áreas abertas e é conhecida por seu canto marcante.

Seriema em campo aberto do Cerrado com plumagem cinza e bico avermelhado.
Foto: Olaf Oliviero Riemer

Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla)

Maior espécie de tamanduá, pode pesar até 45 kg. Não possui dentes e captura formigas e cupins com sua longa língua pegajosa. A sua cauda volumosa costuma balançar quando o tamanduá corre, assemelhando-se a uma bandeira, o que deu origem ao nome popular.

Tamanduá-bandeira caminhando em área aberta do Cerrado, integrante da biodiversidade do Cerrado.
Foto: Kamchatka/Canva.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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