Registro da onça-pintada no Rio de Janeiro impulsiona ações de pesquisa e educação ambiental, reforçando o papel das florestas na proteção de espécies-chave do bioma.
Um novo registro da onça-pintada no Rio de Janeiro, feito no Parque Estadual da Serra da Concórdia, em Valença (RJ), confirma a presença contínua do maior felino das Américas no território fluminense após décadas de ausência. O flagrante, captado por câmeras instaladas pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em parceria com o projeto Aventura Animal, mostra o felino circulando por uma área de água durante o dia e a noite, sinal de que ele está marcando território e se adaptando à região.
Esse é o primeiro indivíduo da espécie registrado no estado desde os anos 1970. Um macho adulto, o felino vem sendo monitorado desde sua identificação, com análises de imagens e de fezes e pegadas, que apontam uma dieta composta por animais que compõem a base alimentar natural da espécie, como capivaras, catetos e tapitis.
Além de reforçar a importância ecológica do predador no equilíbrio da cadeia alimentar, a aparição da onça-pintada no Rio de Janeiro indica uma melhora significativa na qualidade ambiental da região. De acordo com especialistas, a presença de um animal de topo de cadeia só é possível em ecossistemas saudáveis e com disponibilidade de alimento.
Para garantir a segurança do animal e da população, o Inea implementou um plano de monitoramento com uso de câmeras com sensor de movimento e ações educativas conduzidas por guarda-parques e educadores ambientais. A Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade também investiu em novos equipamentos para ampliar a vigilância da fauna fluminense.
Com menos de 300 onças-pintadas restantes em toda a Mata Atlântica, o caso da onça-pintada no Rio de Janeiro ganha destaque. Um fator decisivo para o retorno da espécie no território foi a ampliação da sua cobertura vegetal nos últimos 40 anos, o estado registrou um salto de 30% para 32% na área de floresta entre 1985 e 2024.