Fruto brasileiro pode servir para biodiesel mais sustentável que o tradicional

Com maior rendimento por hectare e menor emissão de poluentes, o biodiesel de babaçu surge como solução viável para descentralizar e descarbonizar a matriz energética, além de gerar renda para comunidades extrativistas.

Um estudo inédito realizado por pesquisadores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) revelou que o biodiesel de babaçu, feito a partir do óleo extraído da palmeira comum no Norte e Nordeste do Brasil, emite menos poluentes que o biodiesel de soja, o mais usado atualmente no país. Além disso, apresentou desempenho semelhante em motores geradores utilizados em áreas rurais, mesmo sem adaptações técnicas.

O experimento envolveu testes com diferentes proporções de biodiesel de babaçu misturado ao diesel convencional. O mesmo foi feito com o biodiesel de soja. Os pesquisadores avaliaram eficiência energética e emissão de poluentes como óxidos de nitrogênio (NOx) e monóxido de carbono (CO) em cenários de uso real, com variações de carga de até 2.500 watts.

Os resultados indicam que o combustível à base de biodiesel de babaçu não só é mais limpo, como pode representar uma alternativa sustentável para comunidades tradicionais. Segundo os autores, muitas dessas populações já realizam o extrativismo do babaçu para alimentação. A produção do biodiesel, feita com equipamentos simples de laboratório, poderia gerar energia local, reduzir custos logísticos e ainda criar novas fontes de renda.

Quebradeiras de coco extraindo sementes de babaçu.
Quebradeiras de coco extraindo sementes de babaçu. Foto: Getty Images

Do ponto de vista ambiental, o uso do babaçu pode aliviar a pressão sobre áreas agrícolas voltadas à soja, cultivo de maior impacto ambiental. Outro dado favorável é que a semente do babaçu tem até 66% de óleo em sua composição, rendimento muito superior ao da soja, que possui cerca de 18%.

Embora o estudo aponte vantagens claras, os cientistas afirmam que é necessário aprofundar a pesquisa sobre o desgaste de motores com o uso contínuo do biodiesel de babaçu. Novos testes com outros equipamentos também estão previstos para ampliar a comprovação da viabilidade técnica e econômica dessa alternativa energética.

Cacho de babaçu na palmeira, usado como fonte para biodiesel de babaçu.
Frutos do babaçu ainda no cacho. A palmeira é abundante no Norte e Nordeste. Foto: Ingrid Barros
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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