Biocombustível de coco verde une inovação, economia circular e menos lixo nas ruas

A quantidade de resíduos de coco descartados em Aracaju sobrecarrega a coleta domiciliar e gera um custo anual de aproximadamente R$ 900 mil para a limpeza pública da cidade; como biocombustível, o que antes era lixo pode ser útil ao setor de transportes

Já parou para pensar onde vai parar todo o coco consumido nas praias brasileiras diariamente? Pensando em aproveitar melhor esse material, que gera uma grande quantidade de lixo, psquisadores do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP) desenvolveram um projeto inovador que transforma resíduos de coco verde em biocombustível.

A tecnologia tem o objetivo de aliviar o consumo de combustíveis fósseis no setor de transportes, hoje um dos que mais utiliza essa fonte de energia. Usando o coco verde como matéria prima, o projeto oferece uma solução sustentável para a gestão de resíduos sólidos e traz oportunidade para diversificação da matriz energética brasileira.

O coco verde, bastante popular nas regiões tropicais, representa um desafio ambiental significativo devido à enorme quantidade de resíduos gerados e à baixa taxa de decomposição, especialmente das fibras. Em Aracaju (SE), segundo um estudo da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), são produzidas aproximadamente 190 toneladas de resíduos de coco verde por semana. A cidade possui 87 pontos de venda da fruta, sendo que 30 deles são classificados como grandes geradores de resíduos, descartando até 200 kg por dia ou 400 kg em dias alternados.

Biocombustível de coco verde une inovação, economia circular e menos lixo nas ruas.
Biocombustível de coco verde une inovação, economia circular e menos lixo nas ruas | Foto: UNIT e ITP

Essa quantidade de resíduos de coco descartados em Aracaju sobrecarrega a coleta domiciliar e gera um custo anual de aproximadamente R$ 900 mil para a limpeza pública. 

Além de reduzir o impacto ambiental causado pelo descarte inadequado dos resíduos de coco, a iniciativa contribui para a economia circular ao transformar um passivo ambiental em recurso valioso. O projeto também promove o desenvolvimento local e a geração de empregos, consolidando-se como um modelo promissor para outras regiões do país.

Como funciona essa transformação?

O processo de conversão do coco em biocombustível inclui etapas como secagem, trituração e conversão térmica da biomassa, utilizando técnicas como pirólise, que decompõe o material em altas temperaturas. Isso resulta em bio-óleo, biocarvão e gases combustíveis.

Na fase de refino e aproveitamento, o bio-óleo pode ser refinado para funcionar como combustível em motores e geradores, enquanto o biocarvão pode ser utilizado como fonte energética ou como insumo agrícola para melhorar a qualidade do solo, oferecendo uma alternativa sustentável para o reaproveitamento de resíduos orgânicos.

“Transformamos em energia um material que representa um grande desafio para o meio ambiente, em função do alto volume e baixa taxa de liquidação”, esclarece o coordenador-adjunto de Programas Profissionais da Área de Engenharia II na CAPES, docente da Unidade, pesquisador do ITP e coordenador do NUESC, Cláudio Dariva.

Além de reduzir o impacto ambiental causado pelo descarte inadequado dos resíduos de coco, a iniciativa contribui para a economia circular.
Além de reduzir o impacto ambiental causado pelo descarte inadequado dos resíduos de coco, a iniciativa contribui para a economia circular | Foto: UNIT e ITP
Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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