Biocarvão ou carvão vegetal? A diferença que pode transformar o solo

A Embrapa tem investido em pesquisas sobre a tecnologia do biocarvão, buscando reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e fortalecer a fertilidade do solo. Mas será que vale a pena?

Material rico em carbono, o biocarvão surge como uma alternativa sustentável para melhorar a saúde do solo, aumentar a retenção de água e nutrientes e reduzir a dependência de insumos químicos na agricultura.

Produzido por meio da pirólise – um processo que aquece a biomassa em ambiente com pouco ou nenhum oxigênio –, esse material é desenvolvido especificamente para aplicação no solo, diferenciando-se do carvão vegetal tradicional, obtido por queima natural e sem controles precisos. O controle do oxigênio no processo permite que o biocarvão apresente melhoria na fertilidade, retenção de água e nutrientes. Diferente do carvão vegetal, ele não é produzido visando a geração de energia.

A Embrapa tem investido em pesquisas sobre essa tecnologia, buscando reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e fortalecer a fertilidade do solo.

Fertilizante granulado com biocarvão e ureia.
Fertilizante granulado com biocarvão e ureia
| Foto: Aline Peregrina Puga/FAPESP

Quais os benefícios do biocarvão?

A produção de biocarvão pode utilizar uma ampla variedade de matérias-primas, incluindo resíduos agrícolas como palha e bagaço de cana, restos de madeira e até esterco animal.

Essa versatilidade permite que agricultores reutilizem subprodutos de suas próprias atividades, transformando materiais que seriam descartados em um insumo agrícola valioso.

A produção de biocarvão pode utilizar uma ampla variedade de matérias-primas, incluindo resíduos agrícolas como palha e bagaço de cana, restos de madeira e até esterco animal.
A produção de biocarvão pode utilizar uma ampla variedade de matérias-primas, incluindo resíduos agrícolas como palha e bagaço de cana, restos de madeira e até esterco animal | Imagem: Wikimedia

O carvão sustentável também se destaca por sua capacidade de atuar como uma esponja natural no solo, graças à sua estrutura porosa, que permite reter grandes quantidades de água e disponibilizá-la para as plantas em períodos de seca.

Além disso, ele armazena e libera gradualmente nutrientes, garantindo uma nutrição constante e equilibrada para as plantas. Isso reduz a necessidade de fertilizantes, proporcionando economia para o produtor e menor impacto ambiental, tornando a agricultura mais sustentável e eficiente.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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