Biden recoloca EUA no jogo do clima, por Julia Fonteles

Considerada a eleição norte americana mais importante do século, a vitória de Joe Biden e Kamala Harris sobre Donald Trump foi motivo de alívio e comemoração na comunidade climática. Há 4 anos que o governo republicano se desfaz de regulamentos e restrições para limitar a emissão de gases de efeito estufa. Desde seus primeiros meses de governo, em 2017, Trump anunciou a saída dos Estados Unidos do acordo climático de Paris, assumiu o compromisso de resgatar os setores automobilístico e carvão e indicou Scott Pruitt, ex-procurador de Oklahoma e ponte de doações das indústrias fósseis para a campanha republicana, para comandar a agência reguladora do meio ambiente (EPA). Em seu discurso no sábado, Biden prometeu que governará o país para todos os norte-americanos e confirmou sua confiança na ciência para enfrentar a covid-19 e o aquecimento global.

A resistência dos Estados e centros metropolitanos ajudou a diluir o efeito devastador do desmonte ambiental propagado por Trump. A determinação da Califórnia em adotar suas próprias metas de redução de gases do efeito estufa (GEE) e a decisão de estabelecer uma frota automobilística 100% elétrica até 2035 são exemplos claros do embate político criado no país. A força do mercado e o baixo preço das energias renováveis também impediram a retomada do carvão, que fechou o ano passado com a menor participação na produção de energia desde 1978.

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Com o aumento nos níveis de CO2 nos últimos anos, especialistas dizem que, com Donald Trump, o mundo perdeu tempo valioso para avançar nas medidas para conter a emissão de gases poluentes, e que Biden terá um longo trabalho pela frente. Segundo pesquisa do instituto Pew Research Center de junho deste ano, 65% dos norte-americanos dizem que o governo federal está fazendo muito pouco para reduzir os efeitos da mudança climática, enquanto 79% concordam que o país deva priorizar o desenvolvimento de fontes de energia alternativa.

Em seu plano de governo, Joe Biden e Kamala Harris prometeram a distribuição de 2 trilhões de dólares para reconstruir uma economia livre de carbono. Ao herdar o país com uma crise de saúde pública e econômica, o maior desafio será conseguir controlar a propagação do vírus e a recuperação da economia de forma sustentável e justa.

Sem a maioria no Senado, os democratas esperam duros embates legislativos para avançar os projetos de lei como o Green New Deal, que traria soluções mais a longo prazo para o aquecimento global. Porém, Biden pode se aproveitar do poder executivo para começar a reparar os danos causados por Donald Trump, a começar pelo o acordo de Paris. Biden afirmou que voltará a participar do acordo na semana de sua posse. É possível também reverter decretos de Trump e reinstalar metas federais para redução de GEE (gases de efeito estufa), eliminar impostos sob placas solares e veículos elétricos e impedir a exploração de combustíveis fósseis em terras públicas. Metas de eficiência energética também devem ser estabelecidas e são indispensáveis para traçar uma economia mais limpa.

Mesmo com desafios grandes pela frente, principalmente em casar a recuperação econômica com a descarbonização da economia, o clima entre os profissionais do setor é de otimismo. O histórico de Kamala Harris, que aumentou a fiscalização das empresas petroleiras, e a expectativa de formação de uma equipe competente aumentam a confiança no executivo americano, que deverá atuar em sintonia com as tendências mundiais e a opinião pública.

Fonte: Poder 360

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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