Com mais de 11 mil casos, febre oropouche avança fora da Amazônia, impulsionada por desmatamento, clima extremo e presença do mosquito vetor em novas regiões.
Em menos de dois anos, a febre oropouche deixou de ser uma doença limitada à região amazônica e já foi identificada em 18 estados e no DF. Até julho de 2025, foram registrados 11,8 mil casos e cinco mortes. O Espírito Santo lidera com 6,3 mil infecções, mais da metade do total nacional.

A oropouche é uma arbovirose causada por um vírus transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis, o maruim ou mosquito-pólvora. Os sintomas lembram os da dengue: febre, dor de cabeça, muscular e nas articulações. A doença também pode causar náusea, fotofobia e, em casos raros, complicações neurológicas. Em gestantes, há risco de microcefalia, malformações e óbito fetal.
A expansão da doença está ligada a mudanças ambientais e climáticas. O mosquito se prolifera em áreas úmidas e com matéria orgânica, comuns em plantações e regiões periurbanas. Estudos da Fiocruz apontam que a nova linhagem, que se expandiu pelo país, teve origem em áreas de desmatamento no sul do Amazonas e norte de Rondônia.
Estudos apontam que mudanças climáticas explicam até 60% da disseminação do vírus. Com ecossistemas em desequilíbrio e população sem imunidade ao vírus, cresce o risco de continuidade do rápido avanço da oropouche no país.

