O compromisso de Dr. Noronha com a Zona Franca de Manaus era uma extensão de seu compromisso com o futuro da Amazônia e de sua gente. Em sua ausência, a responsabilidade recai sobre todos que compartilham de sua visão, para que a floresta continue a ser um patrimônio natural e, sobretudo, um exemplo de como o desenvolvimento pode respeitar a natureza e promover o bem-estar social
O marco das 5 milhões de motocicletas é muito mais do que uma celebração de números. É uma celebração do potencial da Amazônia, do poder de transformação que a indústria pode ter quando conduzida com responsabilidade de empreender na maior floresta tropical do planeta, e da certeza de que um futuro próspero para a região só é possível com a floresta em pé e sua população integrada a atividades econômicas que preservem seu bioma
Essas iniciativas confirmam que a tecnologia e a transição energética trazem além de potenciais e promissoras soluções para os desafios climáticos, as bases para um modelo de desenvolvimento que mantenha a floresta em pé e as pessoas que vivem nela. A combinação de inovação tecnológica e energia limpa - além de novos cenários como o da bioeconomia - cria um horizonte de possibilidades que o mundo e o Brasil precisam, onde as fragilidades do bioma amazônico podem ser mitigadas, e suas potencialidades, exploradas de forma responsável, estratégica e comparativamente vantajosas.
À medida que o Polo Industrial de Manaus avança para seu próximo marco histórico, a celebração dos sessenta anos da ZFM, o desafio será aprofundar essas conexões, ampliando o impacto positivo das indústrias nas comunidades locais e consolidando a Amazônia como um modelo global de acertos no desenvolvimento sustentável.
É fundamental avançarmos no debate construtivo e interdisciplinar sobre a recuperação da BR-319 e suas implicações, buscando soluções que respeitem as necessidades de quem vive na região, sem comprometer o futuro da Amazônia e de seu papel crucial na regulação climática global. Ou será que em lugar do desenvolvimento sustentável a opção preferencial é pelo retrocesso?
O Brasil, ao debater a ZFM na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, tem nas mãos uma política pública que, ao longo de décadas, tem-se mostrado eficaz e que, com o devido aperfeiçoamento, continuará a ser essencial para a preservação da Amazônia e para a redução das desigualdades regionais