Um dos mais importantes precursores do movimento da indústria 4.0 no Polo Industrial de Manaus, o pesquisador Sandro Breval(*), pós-doutor em Inovação Tecnológica, e um dos fundadores do portal Brasil Amazônia Agora, é um dos mais qualificados cérebros da Quarta Revolução que se apresenta no Amazonas. Integrante da organização da EXPOAMAZÔNIA BIO&TIC 2022, em junho próximo, ele prevê que “será um divisor de águas, a partir de nós mesmos, pelos conhecimentos e oportunidades que estaremos partilhando e sacramentando. O Brasil deixará de nos olhar apenas como seu fornecedor de receitas. Temos mais do que tributos para oferecer. Será que Brasília nos vê como pobres tecnologicamente e nos enxerga muito distantes para acessar parcerias? Longe é a China, a Amazônia está mais perto do que nunca, em busca apenas de conexão e interoperabilidade, para expansão de sua maturidade em amplos significados, direções e contribuições que podemos oferecer”.
Em recente reflexão, citei um atestado de ignorância explícito de um agente público da burocracia federal, que perguntou a um emissário das empresas do Polo Industrial de Manaus: “O que é mesmo o PPB?”. A pergunta, aparentemente inocente, se junta a outras muito frequente que ratificam o desconhecimento, descaso e a insignificância com que a União trata os interesses da Amazônia em geral e do Estado do Amazonas em particular. “É comum, a propósito, que muitos agentes encastelados em Brasília não saibam a diferença entre Amazônia e Amazonas.”
”Temos um Polo Industrial que coloca o Amazonas como o quinto maior contribuinte da Receita e produz itens da demanda nacional com alta tecnologia e preços acessíveis. Ou iremos gerar emprego na Ásia, mais ainda? E essa riqueza, em lugar de ser confiscada em 75% de sua totalidade pela União, deveria ser aplicada nos negócios que o Norte tem a oferecer ao Brasil. A lista do Norte é extensa, maior que a floresta e que a demanda do Brasil em termos de empregos, renda e oportunidades.”
E para seguir coerente com seu desprezo pela economia da Amazônia, o governo federal acaba de disparar o tiro de misericórdia na Indústria da ZFM. O ministro da Economia, Paulo Guedes, que prometeu, junto com o presidente da República, Jair Bolsonaro, corrigir os danos do Decreto 10.979/22, não corrigiu, mentiu e mais, ampliou por seis meses os danos de seu equívoco. Pelo andar da carruagem, sob Guedes, a União seguirá esvaziando o programa ZFM, como anunciou e sempre quis desde antes de assumir seu encargo de gestor da economia do país. Ainda restam dúvidas?