Temos um papel muito ambíguo. É um paradoxo: investimos bilhões de reais para proteger a floresta amazônica. Temos muito orgulho disso e somos muitas vezes elogiados por essa iniciativa. Ao mesmo tempo, investimos pelo menos cinco vezes mais recursos financeiros em atividades que destroem a mesma floresta. É claro, sabíamos que o governo norueguês, assim como nossa indústria, tinha investimentos em setores duvidosos. Mas fiquei surpreso com a escala dos investimentos nesse lado mais sombrio em relação às questões ambientais e de direitos humanos.
Em termos de responsabilidades, o desempenho do poder público é visto de forma negativa pelos brasileiros, que rejeitam majoritariamente a atuação da União
Se por um lado a pandemia trouxe incertezas no primeiro semestre, por outro, o surto da doença impulsionou o dólar que, por sua vez, tornou as commodities agrícolas mais competitivas para exportação.
Os ativistas ambientais há anos exigem que os bancos comerciais listados na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia parem de financiar novas usinas elétricas a carvão, exploração de petróleo ou infraestrutura de gás natural.
Qual o sentido de anunciar Manaus como Centro Mundial de Bioeconomia sem assegurar reinvestimentos dos recursos produzidos pelo próprio modelo para este fim de qualificação das pessoas e instituições?
Ele nos recorda uma lição simples e fundamental: o verdadeiro progresso continua sendo aquele que coloca o conhecimento a serviço das pessoas, da prosperidade e da floresta.