Áreas protegidas na Amazônia, unidades de conservação e também terras indígenas tiveram aumento drástico nos últimos quatro anos, dados são do Instituto Socioambiental, ISA, e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe.
A Terra Indígena Yanomami é a maior do país, em extensão territorial, e sofre com a invasão de garimpeiros. A contaminação da terra e da água pelo mercúrio usado no garimpo impacta na disponibilidade de alimento nas comunidades.
Em lugar do castigo, prêmios, os primeiros passos de entrega do açougue aos lobos famintos. Em tempo recorde, 20 mil garimpeiros já ocupavam a região sem impedimentos da ação pública. Dadas as dimensões continentais da Amazônia, a fiscalização, que é historicamente precária, sumiu. Depois de 2020, e com o esvaziamento geral provocado pela pandemia da COVID-19, os territórios indígenas Yanomami, entre outros, se transformaram em terra de ninguém.
Além do já conhecido impacto severo ao meio ambiente, a atividade criminosa atingiu de maneira trágica a saúde do povo Yanomami; Lula exonera servidores que negaram situação no ano passado; expectativa de legalização do garimpo em terras indígenas por Bolsonaro motivou ida de 25 mil garimpeiros a região.
O mundo viu o Brasil estarrecido com mais um episódio dramático da brasilidade, dessa vez em plena Amazônia. Precisamos rechaçar este modelo de governança da floresta e de nossa gente que nela vive, e repudiar o abandono de crianças e idosos da nação ianomâmi, vítimas da exploração criminosa do garimpo ilegal em suas terras. A pobreza - como sequela da desassistência - levou à morte centenas de crianças e de adultos, vítimas de doenças trazidas pelos não-indígenas e pelo mercúrio da contaminação mortal das águas. Temos que ouvir o grito dos inocentes e meditar intensamente sobre essa infâmia.