Ar-condicionado do futuro? Cristais sólidos prometem refrigerar sem poluir

Ao contrário dos gases refrigerantes atuais usados em sistemas de ar-condicionado, que podem escapar e agravar o efeito estufa, os refrigerantes sólidos não se dispersam no ambiente

Um novo tipo de material, apelidado de “refrigerante sólido”, está sendo estudado em laboratórios da Universidade de Cambridge e pode revolucionar os sistemas de resfriamento. Com textura semelhante à da cera, esse material possui propriedades térmicas incomuns: sua temperatura pode variar em mais de 50 graus sob pressão, tornando-o promissor para substituir os gases tradicionalmente usados em aparelhos de ar-condicionado.

Ao contrário dos gases refrigerantes atuais, que podem escapar e agravar o efeito estufa, os refrigerantes sólidos não se dispersam no ambiente. Além disso, segundo o professor Xavier Moya, especialista em física de materiais, em matéria da AFP, esses novos materiais são potencialmente mais eficientes no consumo de energia, o que os torna uma alternativa sustentável e econômica para sistemas de refrigeração no futuro.

Há atualmente cerca de dois bilhões de aparelhos de ar-condicionado em funcionamento no mundo.
Há atualmente cerca de dois bilhões de aparelhos de ar-condicionado em funcionamento no mundo. — Foto: Freepik

Atualmente, existem cerca de dois bilhões de aparelhos de ar-condicionado em operação no mundo, e esse número continua crescendo rapidamente com o aumento das temperaturas globais. Esse avanço, no entanto, tem um custo ambiental significativo.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), tanto os gases liberados pelos sistemas convencionais quanto o alto consumo de energia contribuem para o aumento anual das emissões de gases de efeito estufa.

Como funcionam os cristais de refrigeração?

O funcionamento dos chamados refrigerantes sólidos se baseia em um fenômeno invisível a olho nu, conhecido como efeito barocalórico. Esses materiais são compostos por cristais formados por moléculas que giram sobre si mesmas.

Quando essas moléculas são pressionadas, seu movimento é interrompido, e a energia acumulada é liberada na forma de calor. Ao serem liberadas da pressão, elas voltam a girar, o que provoca uma redução da temperatura ao redor. Esse mecanismo é o que permite que os refrigerantes sólidos funcionem de forma semelhante aos sistemas de resfriamento tradicionais, mas sem gases poluentes e com maior eficiência energética.

Ar-condicionado do futuro? Cristais sólidos prometem refrigerar sem poluir.
Ar-condicionado do futuro? Cristais sólidos prometem refrigerar sem poluir | Foto: Freepik

O primeiro protótipo de ar-condicionado utilizando cristais sólidos com efeito barocalórico está sendo desenvolvido pela startup Barocal, no Reino Unido. O aparelho ainda tem o tamanho de uma maleta grande e emite um zumbido considerável devido ao circuito hidráulico que regula a pressão em quatro cilindros cheios de cristais. Apesar das limitações iniciais, o sistema funciona com eficácia: um pequeno refrigerador acoplado ao protótipo mantém as bebidas em seu interior bem geladas.

A Barocal afirma que os modelos em desenvolvimento serão mais compactos e silenciosos, comparáveis aos sistemas a gás convencionais. A startup, por ora, está focada na refrigeração, mas a mesma tecnologia poderá futuramente gerar calor, ampliando suas aplicações.

A empresa estima que esses dispositivos tenham potencial para reduzir as emissões de carbono em até 75% em relação aos sistemas tradicionais. As primeiras versões comerciais deverão ser utilizadas em grandes centros comerciais, lojas, escolas e centros de dados, marcando um avanço importante rumo a soluções de climatização mais sustentáveis.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

O custo climático e ambiental da inteligência artificial

Crescimento da IA pressiona a crise climática, amplia o uso de fósseis e eleva as emissões de carbono em escala global.

A Amazônia entre duas economias: a floresta em pé e a floresta nas sombras

A economia da floresta em pé é, por definição, uma economia de prazo longo. Ela exige investimento contínuo, qualificação, logística estável, pesquisa, financiamento paciente e, sobretudo, capacidade de fazer a prosperidade chegar aos rios, às estradas e aos municípios distantes — onde o custo de produzir legalmente ainda é alto demais para muita gente.

Terceiro setor acelera adoção de IA, mas ainda enfrenta desigualdades

Essa iniciativa dialoga com uma discussão cada vez mais...