Amazônia: descoberta nova espécie de jiboia-anã que mede ate 20cm

Suzana Camargo – Conexão Planeta

Amazônia – Quando se fala em jiboia, muita gente já arregala os olhos. Mas o que poucos sabem é que esses répteis não possuem veneno. E o medo é ainda mais desnecessário também quando se trata de uma jiboia-anã, que pode atingir, no máximo, 20 centímetros de comprimento. Este é o caso da nova espécie descrita por um grupo de pesquisadores internacionais, incluindo um brasileiro.

Batizada de Tropidophis cacuangoae, a jiboia descoberta em florestas nas montanhas da Amazônia equatoriana ganhou esse nome para homenagear Dolores Cacuango, a “Mamá Dolores”, uma ativista pioneira na luta pelos direitos dos povos indígenas e camponeses em seu país no início do século XX.

Ela apresenta uma coloração que vai do marrom claro ao mais escuro, em diferentes partes do corpo. Possui ainda uma “pélvis vestigial, característica das serpentes primitivas, que é evidência da redução das extremidades nos répteis escamosos há milhões de anos, produto das pressões climáticas no período Quaternário”, explicou Mario Yánez, pesquisador do Instituto Nacional de Biodiversidade (Inabio) do Equador, em entrevista à AFP.

Por isso mesmo, a jiboia-anã recém-descrita é considerada uma “relíquia do tempo”, já que esses são considerados alguns dos mais antigos seres do reino animal.

Acredita-se que a Tropidophis cacuangoae seja endêmica do Equador, ou seja, só existe nas florestas tropicais de lá e em nenhum outro lugar do mundo. Com essa descrição, agora o número de tropidófidos passa para 34 e as espécies continentais de Tropidophis na América do Sul a seis. 

Amazônia
A nova espécie atinge, no máximo, 20 cm de comprimento (Foto: Danilo Medina)

Tropidófitos são uma família de serpentes não-venenosas cuja área de distribuição se estende desde o México até o sul do Brasil. Em nosso país, já foram encontradas três espécies dessas jiboias na Mata Atlântica, T. grapiuna, T. paucisquamis e T. preciosus.

Como só foram coletados dois espécimes durante o trabalho de campo e devido à sua área de ocorrência, os pesquisadores acreditam que ela deve ser classificada como ameaçada de extinção, todavia, ainda sugerem novas análises.

Diferentemente das jiboias-anãs, outras espécies de Boa constrictor, pertencente à família Boidae, estão entre as maiores serpentes não peçonhentas do mundo.

*O artigo com a descrição completa da nova espécie você encontra neste link. O pesquisador brasileiro que faz parte do grupo responsável pela descoberta é Omar Entiauspe-Neto, do Laboratório de Coleções Zoológicas do Instituto Butantan (SP) e do Instituto de Biociências e Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Texto publicado originalmente em Conexão Planeta 11/01/2023

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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