Agronegócio pressiona Lula para sancionar PL da Devastação e acirra impasse ambiental 

Em carta assinada por 90 entidades, setores do agronegócio exigem que Lula sancione PL da Devastação. O projeto de lei ignora a crise climática e ameaça biomas, comunidades tradicionais e órgãos ambientais. 

Um grupo de 90 entidades empresariais enviou uma carta ao presidente Lula pedindo a sanção integral do PL 2.159/2021, apelidado de “PL da Devastação”. Aprovado pela Câmara em 17 de julho, o projeto flexibiliza o licenciamento ambiental ao permitir autodeclarações e licenças automáticas, inclusive para empreendimentos de alto impacto, como mineração, hidrelétricas e expansão agropecuária.

Área desmatada com árvores derrubadas à direita e floresta preservada à esquerda. Cenário pode se agravar com a sanção do PL da Devastação.
Desmatamento em área de transição entre vegetação preservada e solo exposto. A fragmentação da floresta compromete a biodiversidade e afeta o equilíbrio climático da região. Medidas como o PL da Devastação podem agravar esse cenário ao flexibilizar licenciamento ambiental. Foto: Iguiecologia.

O que está em jogo? 

A proposta autoriza aprovações sem análise técnica prévia, o que pode favorecer desmatamento, queimadas e degradação de biomas como Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, além de enfraquecer os direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais.

Críticos apontam a fragilização de órgãos como Ibama e Funai, riscos de insegurança jurídica e maior influência de interesses privados sobre decisões públicas. O texto ignora a crise climática, sem mencionar emissões de CO₂ ou impactos ambientais.

Entre a pressão ruralista e os compromissos climáticos

A pressão pela sanção vem de entidades como Aprosoja, CNI, FIESP e a Frente Parlamentar Agropecuária, que defendem o projeto como forma de “desburocratizar” o setor produtivo. Já ambientalistas, juristas e movimentos sociais promovem protestos, notas técnicas e campanhas contra o projeto. A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, classificou o PL como um “tiro no pé”, inclusive para o agronegócio. Lula tem até 8 de agosto para sancionar ou vetar o projeto.

Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, com cabelo preso em coque, vestindo camisa vermelha.
Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, declarou que PL da Devastação seria prejudicial até mesmo ao agronegócio devido aos impactos ambientais previsíveis. Foto: Rogério Cassimiro/MMA.
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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