Agronegócio e extrema direita patrocinam fake news sobre crise climática

Agronegócio a maquina da desinformação deliberada sobre a crise climática ganhou vasto terreno nos últimos anos no Brasil, beneficiada não apenas por um governo entusiasta das fake news, mas também por uma rede de atores econômicos e de comunicação que sustentou e disseminou as mentiras e distorções. Duas reportagens especiais publicadas na semana passada desfiaram o novelo da desinformação climática no Brasil.

Na Agência Pública, Giovana Girardi, Cristina Amorim, Álvaro Justen e Rafael  Oliveira mergulharam no submundo da negação da mudança do clima que junta  associações rurais, veículos de comunicação próximos do agronegócio, canais digitais e influenciadores ligados a Bolsonaro e encontraram, no meio dessa teia, três nomes que se repetem como os grandes promotores da desinformação.

São eles: o meteorologista Luiz Carlos Molion, professor aposentado da Universidade Federal de Alagoas (UFAL); o geógrafo Ricardo Felício, que recém perdeu o posto de professor da Universidade de São Paulo (USP) por abandono das atividades; e o agrônomo Evaristo de Miranda, ex-EMBRAPA e “guru” antiambiental da gestão passada.

O trio tem seus argumentos replicados por veículos de comunicação direcionados ao agro, como Canal Rural e Terraviva (este, de propriedade do Grupo Bandeirantes de Comunicação), e canais que cresceram espalhando as mentiras do bolsonarismo nos últimos anos, como a Revista Oeste.

Agronegócio

Nesse esforço de desinformação, a última coisa que parece ter relevância para seus promotores é a ciência. Além da baixa produção acadêmica, chama a atenção a verdadeira máquina de relações públicas construída para sustentar essa caixa de ressonância de mentiras, com empresas vendendo palestras a entidades agrícolas, como a Aprosoja.

A insignificância científica dos negacionistas contrasta com a relevância que obtiveram na seara política, como bem destacou a Deutsche Welle.

Além do apoio político dado pelo antigo governo, mantido pelas “viúvas” do ex-presidente, a máquina de desinformação segue se beneficiando com o dinheiro do agronegócio.

Com isso, apesar de não contar mais com aliados no Palácio do Planalto, os negacionistas continuam distorcendo e confundindo as pessoas no debate público sobre clima no Brasil.

“As ações orquestradas de desinformação contribuíram para um atraso significativo no processo de tomada de decisão sobre nossos desafios socioambientais mais críticos”, observou Mercedes Bustamante, presidente da CAPES e uma das principais referências científicas sobre clima e Cerrado no Brasil. “Informações técnicas robustas e baseadas em evidências científicas não podem ser consideradas equivalentes a desinformações sem fundamentação”.

Texto publicado em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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