Produção e conservação avançam com agroflorestas no Brasil

As agroflorestas no Brasil já ocupam cerca de 13,9 milhões de hectares e permitem integração entre produção e conservação ambiental

Uma boa alternativa para mesclar produtividade e sustentabilidade na produção agrícola, os chamados sistemas agroflorestais (SAFs) podem ser usados para recuperar áreas degradadas, restaurar florestas e até promover interação entre espécies. No país, esse modelo vem ganhando cada vez mais popularidade: de acordo com o último Censo Agropecuário do IBGE, as agroflorestas no Brasil ocupam cerca de 13,9 milhões de hectares. No entanto, o crescente interesse por esse modelo de plantio nos últimos anos sugere que a área total atualmente é ainda maior.

Os SAFs combinam árvores com culturas agrícolas, trepadeiras, forrageiras e arbustivas, permitindo uma integração entre produção e conservação ambiental.

Café Apuí Agrofloresta
Café Apuí Agrofloresta, um exemplo de SAF no país | Foto: Divulgação/Idesam

Benefícios das agroflorestas no Brasil

Os sistemas agroflorestais promovem diversos benefícios ambientais e produtivos. A presença de árvores aumenta a matéria orgânica no solo, protegendo-o e melhorando sua qualidade e fertilidade. Além disso, esses sistemas capturam carbono da atmosfera, contribuindo para mitigar as mudanças climáticas, além de diversificarem a produção, oferecendo uma variedade de alimentos e produtos que aumentam a segurança alimentar e a renda dos agricultores.

Por meio desse modelo de cultivo, solos empobrecidos e ecossistemas danificados podem passar por um processo de restauração. Por fim, a diversidade de espécies nos SAFs auxilia no controle de pragas e doenças, reduzindo a necessidade de insumos químicos e tornando o cultivo mais sustentável.

Mais de 30 famílias participam do projeto Café Apuí, que introduziu o cultivo de café agroflorestal.
Mais de 30 famílias participam do projeto Café Apuí, que introduziu o cultivo de café agroflorestal na região | Foto: Divulgação/Idesam

Uma das características marcantes dos sistemas agroflorestais é o plantio de espécies com diferentes tempos de desenvolvimento. Por exemplo, uma planta que cresce em dois anos pode ser cultivada ao lado de outra que leva cinco anos e de uma terceira que demora décadas.

As espécies de crescimento rápido contribuem para melhorar a atividade orgânica do solo, promovendo a saúde do ambiente e gerando renda no curto prazo para o produtor. Já as plantas de crescimento mais lento ajudam a regular a luminosidade do terreno, criando um equilíbrio ideal para o desenvolvimento das demais culturas e para a sustentabilidade do sistema.

Além da Amazônia

As agroflorestas no Brasil têm se expandido além da Amazônia, ganhando força em outras regiões do Brasil. Em uma reportagem do Ecoa-UOL, Patrick Assumpção, proprietário da Fazenda Coruputuba em Pindamonhangaba (SP), conta que apostou na agrofloresta em 2007, inicialmente plantando árvores de guanandi para produção de madeira. Contudo, ao perceber a necessidade de gerar receitas enquanto as árvores cresciam, ele aceitou a sugestão de um pesquisador para adotar o SAF. Assim, integrou áreas de plantio de ciclo curto, como leguminosas e raízes, e de ciclo médio, como frutíferas, diversificando suas fontes de renda e aproveitando o potencial produtivo e conservacionista do modelo.

“Plantei frutas nativas da Mata Atlântica e fiz uma parceria com uma empresa de São Paulo para fornecer minha produção. Deu super certo”, conta Assumpção ao portal.

Agrofloresta em Pindamonhangaba (SP) conta com madeiras nobres, banana, palmito e frutas típicas da Mata Atlântica.
Agrofloresta em Pindamonhangaba (SP) conta com madeiras nobres, banana, palmito e frutas típicas da Mata Atlântica Imagem: Divulgação/Embrapa

Apesar dos avanços, os sistemas de agroflorestas no Brasil ainda enfrentam resistência para se tornarem mais comuns. Segundo Valter Ziantoni, engenheiro florestal e fundador da instituição Pretaterra, um dos principais desafios é a falta de conhecimento técnico especializado para manejar sistemas biodiversos, que exigem a gestão simultânea de múltiplas culturas em uma mesma área. Esse problema é agravado pela escassez de centros de capacitação que ofereçam formação específica em agrofloresta e manejo integrado, dificultando a adoção e a expansão desse modelo sustentável.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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