Por que o “agro é pop”e a indústria não, diz Josué da Silva, presidente da Fiesp

Por Carlos Rydlewski – Metrópoles

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, comparou, na manhã desta segunda-feira (20/3), a situação do agronegócio com a da indústria de transformação no Brasil. Para ele, o agro, “que é pop, que é tech, que é tudo”, conta com privilégios concedidos pelo governo, como subsídios, que não são estendidos ao setor industrial.

Silva observou, em evento realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio, que a indústria já foi a “locomotiva do desenvolvimento nacional”, mas perdeu tal posição nas últimas três décadas. “Infelizmente, regredimos de cerca de 30% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de riquezas do país) para cerca de 11% ou 12% do PIB”, afirmou.

Ele notou ainda que o setor industrial brasileiro já alcançou 56% da produtividade do americano e, agora, tem cerca de 25%. Mas essa queda, acrescentou, ocorreu por causa de “circunstâncias altamente negativas impostas” ao segmento. “Em primeiro lugar, uma carga tributária que fez com que a indústria passasse a recolher 30% do total de impostos do Brasil. Da renda adicionada, do valor agregado pela indústria, 45% são pagos sob a forma de impostos”, afirmou.

Em comparação, disse Silva, o agronegócio, que “aprendemos a admirar e a aplaudir”, “que é pop, que é tech, que é tudo”, paga 5% em impostos de valor agregado.

Agro
Foto divulgação
“O agro dispõe de um Plano Safra que, só em subsídios de equalização de impostos, são R$ 13 bilhões por ano”, disse. “Gostaríamos de ter o mesmo tipo de tratamento. Por que não um ‘Plano Produção’?”.

No mesmo evento, o presidente da Fiesp definiu como “pornográficas” as taxas de juros vigentes no Brasil, cuja base, a Selic, foi fixada pelo Banco Central (BC) em 13,75% ao ano. Ele classificou o atual nível da taxa como “inconcebível”.

Texto publicado originalmente em Metrópoles

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Inmetro reposiciona a regulação como aliada da competitividade na Amazônia

"Aproximação com o Polo Industrial de Manaus, expansão da...

Do silêncio à dignidade: dois anos de escuta, compromisso e transformação

"Dois anos de escuta que transformam silêncio em proteção,...

Facções na Amazônia transformam crimes ambientais em negócio lucrativo

Estudo revela como facções na Amazônia exploram crimes ambientais, ampliam lucros ilegais e intensificam conflitos e impactos socioambientais.

Entenda como o futuro do planeta passa pela mineração em terras indígenas

Mineração em terras indígenas cresce com demanda por minerais críticos e expõe conflito entre clima, economia e direitos territoriais no Brasil.