A ACA transcende à Zona Franca de Manaus, mas dela depende

O nível de prosperidade do comércio está atrelado ao parceiro do momento, e o sucesso ou insucesso da ZFM afetará primeiro e diretamente o comércio, principal beneficiário do Polo Industrial de Manaus. Daí a necessidade do entendimento de que a política do governo federal para com a ZFM, através do assunto da redução IPI, por exemplo, e de outros quaisquer que interfiram na normalidade industrial, no âmbito privado, deva ser objeto primeiro das entidades comerciais, já que a indústria não fará qualquer cerimônia para se mudar de Manaus caso os números não a convenham; qualquer Malásia pode ser seu novo endereço.

Por Juarez Baldoino da Costa
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De Miranda Leão em 1871 a Jorge de Souza Lima em 2022, a ACA – Associação Comercial do Amazonas é um agente em permanente movimento e representa um dos principais setores da economia do estado, tanto em oferta de empregos quanto em arrecadação tributária, com R$ 5,8 bilhões de ICMS pagos em 2021, equivalentes a 40% do total arrecadado. Quando a ZFM – Zona Franca de Manaus nasceu em 1967, a ACA já tinha 96 anos, criada durante o primeiro ciclo da borracha do qual se originou e se organizou.

A ACA não é um projeto e, portanto, não tem prazo de validade. Quando findar a ZFM em 2073 continuará reunindo os operadores do comércio, uma das mais antigas atividades do homem. Após os 2 ciclos da borracha, a entidade recepcionou a ZFM e a transcenderá, e estará pronta para os novos vetores econômicos que advirão. O látex sucumbiu após os seus primeiro e segundo ciclos, mas não apagou a ACA. A Malásia superou o Amazonas na produção da hévea, mas não superou a ACA.

O Amazonas está preparando projetos para novos vetores econômicos que não deverão depender da ZFM, e a ACA estará participando, sejam quais forem as alternativas. Os ciclos econômicos, o da borracha, o da ZFM e o dos novos e futuros vetores, são parceiros com os quais o comércio se relaciona, e deles depende, havendo reciprocidade natural, porém de forma reflexiva, ou seja, a indústria demanda o comércio e não o contrário, especialmente no Amazonas. Se de fato a ZFM terminar em 2073, com 106 anos, a ACA terá completados 2 séculos de existência.

A identidade do comércio com o seu local, por ser intrínseca, exige que ele possa extrair o que de melhor for possível enquanto o ciclo parceiro do momento estiver ativo, diferente da indústria que é nômade e pode ser passageira. A indústria do látex já esteve no Juruá e depois se mudou para a Ásia, e as indústrias da ZFM estarão em novo local algum dia, mas o comércio amazonense continuará no torrão.

O nível de prosperidade do comércio está atrelado ao parceiro do momento, e o sucesso ou insucesso da ZFM afetará primeiro e diretamente o comércio, principal beneficiário do Polo Industrial de Manaus. Daí a necessidade do entendimento de que a política do governo federal para com a ZFM, através do assunto da redução IPI, por exemplo, e de outros quaisquer que interfiram na normalidade industrial, no âmbito privado, deva ser objeto primeiro das entidades comerciais, já que a indústria não fará qualquer cerimônia para se mudar de Manaus caso os números não a convenham; qualquer Malásia pode ser seu novo endereço.

Transcender à ZFM é o futuro natural da ACA, e o grau de dificuldade ou de facilidade nesta fase dependerá de quanto ela poderá contribuir para o melhor da parceria; uma indústria ascendente e segura é a melhor base para um comércio pujante enquanto durar a ZFM.

Juarez Baldoino da Costa 2
Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.
Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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