O Einstein no Amazonas: das parcerias à saúde que precisa chegar ao interior

Uma consulta com um especialista a centenas de quilômetros pode poupar uma longa viagem. No Amazonas, seu valor também depende do que acontece depois da chamada: a realização de exames, o acesso ao tratamento e a presença de uma equipe capaz de acompanhar o paciente em seu município. É por essa sequência que convém examinar as parcerias do Einstein Hospital Israelita no estado.

A frente assistencial mais estabelecida é o TeleAMEs, desenvolvido no âmbito do Proadi-SUS. O profissional da unidade local participa da consulta com o paciente e o especialista remoto, numa troca que também qualifica a decisão clínica no município. O programa oferece doze especialidades e relaciona unidades em diferentes localidades amazonenses. No conjunto das regiões Norte e Centro-Oeste, registrou mais de 142 mil teleinterconsultas em 2024; o relatório do Einstein aponta 171.378 atendimentos pelo TeleAMEs em 2025. Ainda faltam dados públicos detalhados para avaliar separadamente os resultados no Amazonas. 

Einstein no Amazonas:

A instalação do Centro Einstein de Inovação e Tecnologia em Saúde em Manaus, em 2024, acrescentou outra possibilidade. Credenciado para desenvolver projetos com recursos da Lei de Informática da Zona Franca, o centro pode aproximar a pesquisa em saúde das empresas que investem em desenvolvimento tecnológico no Polo Industrial. O Malar.IA, pesquisa de apoio ao diagnóstico da malária conduzida com a Fundação de Medicina Tropical, a Positivo Tecnologia e a Hilab, oferece um exemplo dessa conexão. Seus resultados e sua eventual aplicação nos serviços ainda precisam ser acompanhados. 

A UEA já tem participação documentada. Um edital conjunto UEA–Einstein selecionou bolsistas para um programa presencial de empreendedorismo e informática biomédica. No anúncio do centro de Manaus, foram previstas vinte bolsas com apoio da universidade e do Grupo Bemol. O passo seguinte é conhecer os trabalhos desenvolvidos, os que chegaram à validação e os que podem atender necessidades da rede pública. 

A UFAM oferece outra base importante para essa construção. Seu Hospital Universitário Getúlio Vargas relata trabalho em saúde indígena, articulação com os distritos sanitários e uso de telessaúde para apoiar o cuidado. Não temos notícia  de um acordo do Centro Einstein de Manaus com a UFAM equivalente ao programa firmado com a UEA. Integrar suas unidades acadêmicas, pesquisadores e hospital universitário a projetos definidos com o SUS é, portanto, uma proposta concreta viável para a próxima etapa. 

A conversa com a indústria também começou. Em setembro de 2025, a FIEAM recebeu representantes do Einstein, apresentou o trabalho do CIDE com startups e discutiu possíveis conexões com a estrutura de validação científica do hospital. O encontro terminou com o compromisso de identificar ações conjuntas; o registro disponível ainda não descreve um programa executado entre as duas instituições. A Eretz.bio, por sua vez, já dispõe de programas de apoio a startups de saúde que poderiam receber projetos nascidos no Amazonas. 

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Foto: Bio Mendes/Einstein

O desafio agora é dar continuidade a essas aproximações. Uma agenda comum entre Einstein, UEA, UFAM, Fiocruz Amazônia, governos, equipes municipais e setor produtivo pode escolher problemas bem definidos, testar soluções no território e publicar seus resultados. Para o morador do interior, a medida será concreta: quanto esperou, se conseguiu fazer os exames, se recebeu o tratamento e se pôde continuar o cuidado perto de casa.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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