O II Seminário Floresta Viva, promovido pelo Idesam e instituições parceiras, conectou ciência, políticas públicas e conhecimentos territoriais para fortalecer a recuperação da vegetação nativa do Amazonas.
O II Seminário Floresta Viva Amazonas reuniu pesquisadores, universidades, organizações socioambientais, comunidades tradicionais e representantes do poder público nos dias 25 e 26 de agosto, no Bosque da Ciência, em Manaus. Promovido pelo Idesam, IPÊ, Ufam e Inpa, o encontro apresentou resultados de projetos e discutiu estratégias para ampliar a recuperação da vegetação nativa no estado.
Encontro aproxima ciência e experiências comunitárias
O seminário fortaleceu as ações de restauração ecológica ao integrar conhecimento científico, conservação ambiental, produção sustentável e participação das comunidades amazônicas. Representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também participaram da programação.
A iniciativa, articulada pelo Idesam e pelas instituições parceiras, promoveu a troca de conhecimentos entre pesquisadores, organizações e pessoas que atuam nos territórios. O objetivo foi identificar soluções capazes de recuperar áreas degradadas e, ao mesmo tempo, gerar benefícios sociais e econômicos para as populações locais.
Entre as experiências compartilhadas estavam ações realizadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga, RDS Tupé, RDS Uatumã, Área de Proteção Ambiental (APA) Tarumã e em outras áreas da região de Manaus.
Projetos combinam restauração e produção sustentável
Durante o evento, o Idesam apresentou resultados preliminares do projeto Restauração Ecológica Produtiva: Promovendo uma Paisagem Sustentável na Amazônia. A iniciativa integra a recuperação da vegetação nativa a atividades produtivas adequadas à realidade ambiental e social da região.
O Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), por sua vez, compartilhou os avanços do Projeto Reflora, direcionado à recuperação ecológica e à implantação de sistemas agroflorestais multifuncionais. As iniciativas demonstram como a restauração pode ir além do plantio de árvores, incorporando conservação da biodiversidade, produção de alimentos, geração de renda e valorização dos conhecimentos das comunidades amazônicas.
Sementes e mudas estão entre os principais desafios
Os participantes também discutiram os obstáculos que dificultam a ampliação da restauração na Amazônia. Entre os principais temas, a cadeia de sementes e mudas recebeu atenção especial. Os debates abordaram os gargalos relacionados à coleta de sementes nativas, à produção nos viveiros e à distribuição de mudas nos territórios onde as ações serão executadas.
A programação apresentou ainda o trabalho da Aliança pela Restauração na Amazônia, rede vinculada à Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica, que promove a cooperação e a divulgação de iniciativas dedicadas à recuperação dos ecossistemas amazônicos.
Capacitação fortalece atuação nos territórios
Após o encerramento do seminário, parte dos participantes seguiu para uma capacitação prática voltada à cadeia de coleta de sementes e produção de mudas. A atividade foi organizada para aprofundar conhecimentos e fortalecer a atuação de profissionais e comunidades envolvidos na restauração no Amazonas. A proposta é avançar na construção de um modelo de articulação em rede, conectando coletores, viveiros, pesquisadores, instituições e organizações comunitárias.
Evento incentiva compensação de emissões
O seminário também disponibilizou uma Calculadora de Pegada de CO₂ do Programa Carbono Neutro. A ferramenta permitiu aos participantes estimar as emissões de gases de efeito estufa geradas pelo deslocamento até o evento e conhecer alternativas para compensar essa pegada.
Ao conectar ciência, políticas públicas, produção sustentável e conhecimentos comunitários, o II Seminário Floresta Viva Amazonas mostrou a importância da restauração florestal para recuperar áreas degradadas, conservar a biodiversidade e fortalecer cadeias produtivas que geram benefícios para as populações amazônicas.