“Soberania econômica exige integrar a Amazônia por dentro, fortalecer suas vocações produtivas e impedir que a abertura dos céus se transforme em mais um capítulo de entrega colonial sobre o território”
Já existem muitas cadeias produtivas na Amazônia, mas elas podem ser muito, muito maiores, se forem construídas com a harmonia que a região requer. Primeiro por uma questão de custo, segundo por uma questão de soberania e rentabilidade. Todas as estratégias extrativistas e destrutivas da região fracassaram.
Precisamos estabelecer uma nova ordem de harmonia com a Amazônia brasileira. A partir disso é que teremos uma soberania sobre a região e uma cooperação com o restante do país. Enquanto persistir o ignorar da Amazônia ou uma perspectiva usurpadora, seguiremos a ter problemas.
A cadeia produtiva mineral do Pará e a indústria do Amazonas são os elementos que se destacam. Mesmo estes dois grandes polos produtores já consolidados, eles ainda são ignorados ou combatidos por boa parte da estrutura de poder nacional. É visível o quanto há de incômodo sobre uma e outra solução produtiva.

Mas, para além destas estruturas, precisam existir várias outras formas de produzir na região. É possível ampliar muito mais a produção industrial de Manaus, que, em uma área pequena, consegue gerar mais de 100 mil empregos diretos e outros muitos país afora.
A estrutura mineral do Pará faz uso de ferrovias e hidrovias de forma competitiva. Mas, para além dela é necessário surgir um complexo industrial que faça mais do que a extração, porque esta exportação gera pouco de tributos para o país, mesmo que positiva de outras formas.
Os grandes espaços vazios do interior precisam ser potencializados pelo que são, para não olharmos para a floresta apenas como uma reserva econômica para o futuro. A presença de atividades rentáveis e sustentáveis no interior será perfeitamente possível, desde que se reconheçam as vocações locais, mas isso será impossível, se não dermos voz para seus moradores.
Como país, estamos acostumados a pensar pela perspectiva de Brasília ou de São Paulo, apagando e ignorando os interesses amazônicos. Pouco é falado do que interessa aos povos do interior profundo da Amazônia.
Há o interesse de ditar o que fazer e neste “fazer” há uma prescrição de subemprego ou atividades de subsistência subordinada a grupos econômicos estrangeiros ou grandes grupos nacionais. São políticas públicas para outros povos. A perspectiva de solução começará a surgir pela infraestrutura que conecte os rios com as cidades por meio de portos dignos, bem estruturados e que adotem a perspectiva cidadã para quem se move pelos rios. As estruturas contemporâneas seguem improvisadas. Isso precisa mudar.
A infraestrutura necessária passa também pelo transporte aéreo. Não adiantará abrir “os céus” da Amazônia para estrangeiros, pois o que precisamos é de um capitalismo Amazônico e não de um colonialismo tardio. Encontrar as vocações produtivas depende de um integrar interno, antes de um integrar externo e muito distante de um entregar externo, que é o que se faz cotidianamente, como no caso do Projeto de Lei 539/2024 que entrega os céus da Amazônia para estrangeiros.
A mania entreguista, deste colonialismo tardio, precisa ser interrompida, sob a pena de nunca aproveitarmos a Amazônia pelos amazônidas, nem pelo Brasil e, ao fim de tudo, aproveitarmos pela destruição e não pelo convívio. É intrigante porque tantos lutam contra a soberania econômica da Amazônia.
